Independência no Claro que é rock?

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Pra começar, o rolo criado com as bandas que já trabalharam, ou trabalham, com um selo independente e têm material distribuído profissionalmente, a maioria graças à ajuda da distribuidora Tratore. No começo, as regras diziam que não seriam permitidas bandas assim. Tudo bem, o regulamento foi claro e pronto. O problema, levantado pela própria organização do festival, foi que estavam recebendo pouco material e o que vinha tinha pouca qualidade. O que fizeram? Deram uma entrevista para o Lúcio Ribeiro, da Folha de São Paulo, dizendo que estas bandas (as que trabalhavam em selos independentes) poderiam sim mandar material para o festival, desde que assinassem um termo abrindo mão dos direitos e tal.

Isso feito, obviamente, boas bandas passaram a enviar seus discos, releases e fotos, crentes que o regulamento havia mudado. E realmente tudo ia bem até a desclassificação do pessoal do The Dharma Lovers, grupo de Porto Alegre, com a inclusão da banda Deus e o Diabo. Nada contra o Deus e o Diabo, mas a desclassificação do Dharma Lovers não foi explicada até hoje. A confusão, então, chegou à etapa de Brasília, com a retirada do Violins e do Bois de Gerião e aportou em São Paulo com a saída do Pullovers.

Só com estes últimos é que descobrimos o que estava acontecendo, mas tudo graças às bandas que  se pronunciaram, já que a assessoria de imprensa do  festival não comentava sobre as desclassificações. O problema foi realmente a distribuição dos discos pela Tratore, já que todas as bandas trabalhavam desta forma. Outro problema  foi o fato de vários discos não terem sido retirados dos Correios na data estipulada pela curadoria do festival. Ou seja, o resultado foi divulgado sem que todos os trabalhos realmente tivessem sido ouvidos pelos responsáveis. Mais um? Claro, agora quanto à escolha das bandas finalistas. Se no Norte e Nordeste tudo correu bem, com as bandas classificadas fazendo bons shows e contando com o apoio do público, no Sul e Centro-Oeste, mais precisamente Porto Alegre, Florianópolis e Brasília, as coisas não saíram como todos esperavam.

Em Porto Alegre, a banda Os Cartolas tem como um dos integrantes o filho de um roqueiro das antigas da capital gaúcha. Este roqueiro é amigo de todos na comissão julgadora e, algumas pessoas, das bandas presentes, confirmaram: rolou um lobby para que a banda realmente fosse escolhida. Junte-se a isso que eles  tiveram a pior apresentação entre todas, isso dito por quem esteve lá, deixo claro, mostra que algo de podre realmente pode ter rolado em Porto Alegre. Em Florianópolis, o Spiegel teve boa parte do público de costas, por acharam a banda apenas uma cópia de Charlie Brown Jr., durante sua apresentação, mas a comissão julgadora o escolheu como vencedor. O mesmo aconteceu em Brasília, onde o 10Zer04 também não era a preferida pelo pessoal presente. As coisas voltaram ao normal nas etapas de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, onde não houve tanta polêmica com a
escolha das bandas finalistas.

Pois bem, chegamos à etapa final e o que seria um festival de música independente, com uma atração internacional de peso para levar público, se transforma em mais um festival de rock, recheado de bandas gringas e sem nenhuma divulgação para estas bandas escolhidas na primeira fase. A mudança
de foco pode ter sido decidida graças aos problemas ocorridos na primeira fase, mas, como a assessoria de imprensa não respondeu nossos e-mails, não podemos confirmar tal mudança de rumo.

Para esta segunda etapa, além dos grupos selecionados, um time de roqueiros de renome aportará em São Paulo e Rio de Janeiro. Nine Inch Nails, Fantômas, Good Charlote, Sonic Youth, Flaming Lips e  Iggy Pop juntam-se aos brasileiros do Cachorro Grande e da Nação Zumbi, além das oito selecionadas
nas seletivas do primeiro semestre.

Obviamente o público estará indo para ver alguma destas bandas estrangeiras e a atenção é justificavel, afinal não é sempre que temos um time como esse se apresentando no Brasil. Mas será que vale a pena, para os grupos independentes, entrarem em um evento assim? Cada um deles terá apenas 20 minutos para a apresentação que rolará em um palco menor, chamado palco B. Seus ´shows´ começarão às três horas da tarde, um horário que dificilmente terá público decente e sem direito a passar som, usar toda a potência dos equipamentos e luzes.

Vale. Para estas bandas só o fato de se apresentarem em São Paulo (pela agenda no site do festival os grupos não tocarão no Rio), já compensa qualquer tipo de inconveniente. Mas nada justifica o descaso que estão enfrentando. Toda a divulgação é feita em cima das ´grandes´ bandas, esquecendo-se totalmente a idéia inicial do festival. É uma pena, pois seria a grande chance de mostrar essa nova safra de artistas para um público diferente. 

O público que irá ao festival mal sabe que várias bandas indepedentes estarão concorrendo à gravação de um disco por uma grande gravadora. Então só restará aos grupos Star 61 (Paraiba), Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta (Bahia), Cartolas (Porto Alegre), Spiegel (Florianopólis), 10Zer04 (Brasília), Volpina (Campinas) Imperdíveis (São Paulo) e Moptop (Rio de Janeiro) torcerem para que o pessoal chegue cedo e veja estas apresentações antes do ´verdadeiro´ festival começar.

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