Independência no Claro que é rock?
Written by Valdir Antonelli Tuesday, 01 November 2005 20:03
Pra começar, o rolo criado com as bandas que já trabalharam, ou trabalham, com um selo independente e têm material distribuído profissionalmente, a maioria graças à ajuda da distribuidora Tratore. No começo, as regras diziam que não seriam permitidas bandas assim. Tudo bem, o regulamento foi claro e pronto. O problema, levantado pela própria organização do festival, foi que estavam recebendo pouco material e o que vinha tinha pouca qualidade. O que fizeram? Deram uma entrevista para o Lúcio Ribeiro, da Folha de São Paulo, dizendo que estas bandas (as que trabalhavam em selos independentes) poderiam sim mandar material para o festival, desde que assinassem um termo abrindo mão dos direitos e tal.
Isso feito, obviamente, boas bandas passaram a enviar seus discos, releases e fotos, crentes que o regulamento havia mudado. E realmente tudo ia bem até a desclassificação do pessoal do The Dharma Lovers, grupo de Porto Alegre, com a inclusão da banda Deus e o Diabo. Nada contra o Deus e o Diabo, mas a desclassificação do Dharma Lovers não foi explicada até hoje. A confusão, então, chegou à etapa de Brasília, com a retirada do Violins e do Bois de Gerião e aportou em São Paulo com a saída do Pullovers.
Só
com estes últimos é que descobrimos o que estava acontecendo, mas tudo
graças às bandas que se pronunciaram, já que a assessoria de imprensa
do festival não comentava sobre as desclassificações. O problema foi
realmente a distribuição dos discos pela Tratore, já que todas as
bandas trabalhavam desta forma. Outro problema foi o fato de vários
discos não terem sido retirados dos Correios na data estipulada pela
curadoria do festival. Ou seja, o resultado foi divulgado sem que todos
os trabalhos realmente tivessem sido ouvidos pelos responsáveis. Mais
um? Claro, agora quanto à escolha das bandas finalistas. Se no Norte e
Nordeste tudo correu bem, com as bandas classificadas fazendo bons
shows e contando com o apoio do público, no Sul e Centro-Oeste, mais
precisamente Porto Alegre, Florianópolis e Brasília, as coisas não
saíram como todos esperavam.
Em Porto Alegre, a banda Os
Cartolas tem como um dos integrantes o filho de um roqueiro das antigas
da capital gaúcha. Este roqueiro é amigo de todos na comissão julgadora
e, algumas pessoas, das bandas presentes, confirmaram: rolou um lobby
para que a banda realmente fosse escolhida. Junte-se a isso
que eles tiveram a pior apresentação entre todas, isso dito por quem
esteve lá, deixo claro, mostra que algo de podre realmente pode ter
rolado em Porto Alegre. Em Florianópolis, o Spiegel teve boa parte do
público de costas, por acharam a banda apenas uma cópia de Charlie
Brown Jr., durante sua apresentação, mas a comissão julgadora o
escolheu como vencedor. O mesmo aconteceu em Brasília, onde o 10Zer04
também não era a preferida pelo pessoal presente. As coisas voltaram ao
normal nas etapas de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, onde não
houve tanta polêmica com a
escolha das bandas finalistas.
Pois
bem, chegamos à etapa final e o que seria um festival de música
independente, com uma atração internacional de peso para levar público,
se transforma em mais um festival de rock, recheado de bandas gringas e
sem nenhuma divulgação para estas bandas escolhidas na primeira fase. A
mudança
de foco pode ter sido decidida graças aos problemas
ocorridos na primeira fase, mas, como a assessoria de imprensa não
respondeu nossos e-mails, não podemos confirmar tal mudança de rumo.
Para
esta segunda etapa, além dos grupos selecionados, um time de roqueiros
de renome aportará em São Paulo e Rio de Janeiro. Nine Inch Nails,
Fantômas, Good Charlote, Sonic Youth, Flaming Lips e Iggy Pop
juntam-se aos brasileiros do Cachorro Grande e da Nação Zumbi, além das
oito selecionadas
nas seletivas do primeiro semestre.
Obviamente
o público estará indo para ver alguma destas bandas estrangeiras e a
atenção é justificavel, afinal não é sempre que temos um time como esse
se apresentando no Brasil. Mas será que vale a pena, para os grupos
independentes, entrarem em um evento assim? Cada um deles terá apenas
20 minutos para a apresentação que rolará em um palco menor, chamado
palco B. Seus ´shows´ começarão às três horas da tarde, um horário que
dificilmente terá público decente e sem direito a passar som, usar toda
a potência dos equipamentos e luzes.
Vale. Para estas bandas só
o fato de se apresentarem em São Paulo (pela agenda no site do festival
os grupos não tocarão no Rio), já compensa qualquer tipo de
inconveniente. Mas nada justifica o descaso que estão enfrentando. Toda
a divulgação é feita em cima das ´grandes´ bandas, esquecendo-se
totalmente a idéia inicial do festival. É uma pena, pois seria a grande
chance de mostrar essa nova safra de artistas para um público
diferente.
O público que irá ao festival mal sabe que várias bandas indepedentes estarão concorrendo à gravação de um disco por uma grande gravadora. Então só restará aos grupos Star 61 (Paraiba), Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta (Bahia), Cartolas (Porto Alegre), Spiegel (Florianopólis), 10Zer04 (Brasília), Volpina (Campinas) Imperdíveis (São Paulo) e Moptop (Rio de Janeiro) torcerem para que o pessoal chegue cedo e veja estas apresentações antes do ´verdadeiro´ festival começar.

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