Você concorda com as listas?
Written by Valdir Antonelli Tuesday, 27 December 2005 20:02
Em boa parte das listas
as bandas mais votadas foram Bloc Party, Franz Ferdinand, Arcade Fire,
Gorillaz, Kaiser Chiefs e muitos outros nomes menos conhecidos. Mas o
que rola nas rádios e vende de verdade? Madonna, Bon Jovi e mais um
quilo daquilo que nós, jornalistas musicais, chamados de baba
radiofônica. Mas por que nossos gostos não batem com o gosto de quem
realmente ouve rádio?
Não
é de hoje que os comentários de quem diz entender de música é
totalmente furado em relação aos simples mortais. Desde os anos 80,
quando nasceu a Bizz e com ela passamos a ler o que os outros diziam de
nossos artistas preferidos (claro que existiam outras revistas, como a
Roll e a Som Três, mas a Bizz chegou para revolucionar o mercado),
vemos que o crítico musical costuma detonar os artistas mais populares
e colocarem bandas obscuras entre suas preferidas. Talvez uma forma de
mostrar para o leitor que ele (o leitor) não manja muito de música e
por isso seu trabalho é importante. Ou apenas um jeito de se colocar
acima desse próprio leitor. Aquela coisa de que só ele (o crítico) é
que realmente dá valor pra boa música.
Não
sei onde me colocar, gosto de muita coisa desconhecida, isso desde os
anos 80, quando achava Violeta de Outono muito melhor que Barão
Vermelho, apesar de reconhecer que a turma do Cazuza fazia algumas boas
coisas. Mas hoje não consigo entender como um crítico elege, como álbum
do ano, uma banda que mal lançou um primeiro disco e é desconhecida até
mesmo em sua terra natal. Aí voltamos para o parágrafo anterior, onde o
crítico tenta mostrar ser mais culto que seu leitor.
E
a coisa só tende a piorar com a interner. Como ficou muito fácil baixar
qualquer disco, de qualquer banda, de qualquer país, qualquer pessoa
pode se colocar como crítico musical e dizer que fulano de tal, lá da
Mongólia, fez o disco mais importante de 2005. Esquecendo que não é
porque toca em rádio e vende muitos discos, que um disco é ruim.
O
problema chega a tal ponto que um grupo passa a ser ruim quando, graças
aos seus próprios méritos, deixa o mundo independente e assina com uma
gravadora. Já ouvi gente dizendo que o Gram ficou ruim e comercial
depois que assinou com a Deck. Isso porque os caras mal mexeram nos
arranjos de suas canções quando lançaram o álbum pela gravadora
carioca. E isso reflete nos comentários feitos pela tal ´crítica
especializada´.
Não
vou ficar citando nomes, porque não é preciso isso, basta uma busca por
´melhores do ano´ para que várias listas apareçam na sua frente. Dêem
uma olhadinha nos nomes que entrarão nestas listas. Metade você jamais
terá ouvido falar. O bom é que você pode ir atrás pela net e numa
dessas até concordar com o crítico que botou tal álbum entre os
melhores do ano. Boa sorte...

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