Você também quer ser um ídolo??
Written by Valdir Antonelli Friday, 28 April 2006 19:57
Enquanto lá eles tem o blues,
country, rock e pop, aqui temos pagode, sertanejo, axé, rock, pop, etc.
Uma maior diversidade de estilos, maior trabalho para os jurados,
certo? Nem tanto, como acontece no original, a grande parte dos
concorrentes acha que sabe cantar, não aceita quando os jurados falam
que eles são ruins e saem batendo o pé, chorando, gritando. Sucesso
garantido lá, e aqui também, já que o programa vem dando uns bons
pontos no Ibope.
Algumas pequenas diferenças aparecem nos
currículos dos jurados, os americanos têm mais de 20 anos de carreira e
venderam, ou ajudaram a vender, mais de 200 milhões de discos. Os
brasileiros são mais modestos, venderam apenas algumas dezenas de
milhares de discos, mas também contam com boa experiência em produção
musical e, diferentemente dos americanos, são bem solícitos em ajudar o
candidato que acreditam ter um certo potencial. O que pega é que,
diferentemente do que rola na terra do Tio Sam, ganhar um concurso como
o ídolos não vai garantir ao vencedor o status de ídolo. Claro que a
Sony/BMG, que vai contrata-lo, irá botar uma boa grana para a produção
do disco e divulgação, mas o mercado musical brasileiro não funciona de
forma tão certinha quanto o americano e não vai ter Cristo que garanta
algum sucesso para o ganhador. Se lá ganhar o programa já não é
garantia de nada - basta recapitular e ver que apenas Kelly Clarkson,
vencedora da primeira edição, faz sucesso -, imaginem aqui.
Por
mais que o Miranda puxe a sardinha para o pop/rock, o ganhador terá que
ter um grande apelo popular - e sabemos que pop/rock não é o estilo
mais ouvido no país. Por aí imaginamos que o grande vencedor gravará um
disco recheado de músicas românticas e uma ou outra mais agitadinha pra
contrabalançar, se vocês lembrarem do Rouge e do Bros fica fácil
entender o que sairá do programa, música pra FM, popular ao extremo.
Não que seja pecado fazer pop, o problema é que o sentido que o
brasileiro tem do pop é meio tacanho, só assim pra explicar como um
grupo como o KLB faz tanto sucesso e o Wonkavision continua esquecido
lá em Porto Alegre.
Já o programa, esquecendo a finalidade de
encontrar o tal ídolo, só vai valer as horas perdidas por causa dos
´piores´ momentos, exatamente aqueles cômicos, estúpidos, aquele que
mostra o quanto ruins nós somos, por adorarmos rir da desgraça alheia.
Mas que culpa temos se essas pessoas não se tocam que não sabem cantar?
Por outro lado, pelos programas assistidos, a grande maioria dos
aprovados são simples cópias de grandes nomes da música brasileira.
Várias Ivetes, várias Daniellas, muita gente tentando cantar soul,
pouco rock, pouco pop. Não existe nenhuma voz singular, como a de
Fantasia Barrino, vencedora da última edição do programa.
Por
está ótica, da pra perceber que o programa vai nivelar por baixo o
sentido que temos do que seja música pop, pra variar quem vai sair
perdendo são apenas os ouvintes, ninguém mais. É, no mínimo, uma
hipocrisia criar um programa como o Ídolos quando nossa música tem uma
variedade, e qualidade, tão grande, só não temos mais artistas fazendo
sucesso porque nossa cultura musical é escassa. Em um país onde uma
Tati Quebra Barraco é tida como exemplo a ser seguido, alguma coisa
está errada.

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