Você também quer ser um ídolo??

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Enquanto lá eles tem o blues, country, rock e pop, aqui temos pagode, sertanejo, axé, rock, pop, etc. Uma maior diversidade de estilos, maior trabalho para os jurados, certo? Nem tanto, como acontece no original, a grande parte dos concorrentes acha que sabe cantar, não aceita quando os jurados falam que eles são ruins e saem batendo o pé, chorando, gritando. Sucesso garantido lá, e aqui também, já que o programa vem dando uns bons pontos no Ibope.

Algumas pequenas diferenças aparecem nos currículos dos jurados, os americanos têm mais de 20 anos de carreira e venderam, ou ajudaram a vender, mais de 200 milhões de discos. Os brasileiros são mais modestos, venderam apenas algumas dezenas de milhares de discos, mas também contam com boa experiência em produção musical e, diferentemente dos americanos, são bem solícitos em ajudar o candidato que acreditam ter um certo potencial. O que pega é que, diferentemente do que rola na terra do Tio Sam, ganhar um concurso como o ídolos não vai garantir ao vencedor o status de ídolo. Claro que a Sony/BMG, que vai contrata-lo, irá botar uma boa grana para a produção do disco e divulgação, mas o mercado musical brasileiro não funciona de forma tão certinha quanto o americano e não vai ter Cristo que garanta algum sucesso para o ganhador. Se lá ganhar o programa já não é garantia de nada - basta recapitular e ver que apenas Kelly Clarkson, vencedora da primeira edição, faz sucesso -, imaginem aqui.

Por mais que o Miranda puxe a sardinha para o pop/rock, o ganhador terá que ter um grande apelo popular - e sabemos que pop/rock não é o estilo mais ouvido no país. Por aí imaginamos que o grande vencedor gravará um disco recheado de músicas românticas e uma ou outra mais agitadinha pra contrabalançar, se vocês lembrarem do Rouge e do Bros fica fácil entender o que sairá do programa, música pra FM, popular ao extremo. Não que seja pecado fazer pop, o problema é que o sentido que o brasileiro tem do pop é meio tacanho, só assim pra explicar como um grupo como o KLB faz tanto sucesso e o Wonkavision continua esquecido lá em Porto Alegre.

Já o programa, esquecendo a finalidade de encontrar o tal ídolo, só vai valer as horas perdidas por causa dos ´piores´ momentos, exatamente aqueles cômicos, estúpidos, aquele que mostra o quanto ruins nós somos, por adorarmos rir da desgraça alheia. Mas que culpa temos se essas pessoas não se tocam que não sabem cantar? Por outro lado, pelos programas assistidos, a grande maioria dos aprovados são simples cópias de grandes nomes da música brasileira. Várias Ivetes, várias Daniellas, muita gente tentando cantar soul, pouco rock, pouco pop. Não existe nenhuma voz singular, como a de Fantasia Barrino, vencedora da última edição do programa.

Por está ótica, da pra perceber que o programa vai nivelar por baixo o sentido que temos do que seja música pop, pra variar quem vai sair perdendo são apenas os ouvintes, ninguém mais. É, no mínimo, uma hipocrisia criar um programa como o Ídolos quando nossa música tem uma variedade, e qualidade, tão grande, só não temos mais artistas fazendo sucesso porque nossa cultura musical é escassa. Em um país onde uma Tati Quebra Barraco é tida como exemplo a ser seguido, alguma coisa está errada.

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