Rock, tão velho e tão atual

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Desde sempre odiado por nossos pais, que consideram o estilo como coisa de maconheiro e vagabundo, o rock consegue fazer a cabeça de jovens brasileiros, europeus, norte-americanos, e de qualquer lugar onde seja possível que um bando de desocupados - hoje nem tanto - com instrumentos musicais possam se reunir apenas por dar um certo sentido às palavras liberdade, rebeldia e, porque não, amor. Cada época com seu uniforme. Houve um tempo onde as jaquetas de couro falavam mais alto, depois terninhos que deram lugar aos panos coloridos dos hippies, chegaram os punks e o couro voltou, agora recheado de tachas e correntes. Aí a molecada, cansada de tanto preto, branco ou cinza, resolveu pintar tudo com corres berrantes, verde-limão, amarelo-ovo, laranja. Entram também as camisas de flanela e, agora, uma mistura de tudo isso, mais calças quase caindo, mas mostrando a cueca. Uma hora cabelos curtos, na outra compridos, para depois voltarem a ser curtos.

Esse é o caminho do rock, visto pela ótica da moda, mas também pode ser resumido pelo tipo de música, e tribo,  que cada roupa representa. Normalmente avesso ao conformismo, o rock sempre chocou as pessoas mais conservadoras,  muitas vezes pelo visual do que apenas pelas letras de suas canções. Basta lembrarmos os requebros de Elvis ou o fanatismo pelos Beatles, mas também por tomar pra si bandeiras que o povo, digamos, mais normal não considerava... normal. Aí entra a temática sobrenatural que rondou o metal, a sujeira e politização do punk, a alegria exacerbada da new wave, a tristeza depressiva do gótico, tudo fora do comum, tudo coisa de gente doida, como diria minha avó, mas tudo isso criando laços cada vez mais fortes, impedindo que a música do demo formasse apenas mais um gueto entre as dezenas de estilos perfazem a música mundial.

É essa capacidade de se renovar, mesmo sem criar nada novo há pelo menos duas décadas, que faz o rock ser o que é. Mas não pense que a vida do roqueiro brasileiro é fácil, as rádios não querem ajudar, as TV´s menos ainda. Jornais e revistas só falam de algo quando estourou lá fora, ou quando o dia mundial do rock chega - basta ver que todos os sites especializados, além dos tais jornais, rádios e TV´s produziram artigos e matérias sobre o assunto. Fica parecendo que brasileiro só lembra do rock em datas especiais, como as que ´comemoram´ o aniversário de morte de algum ídolo. Onde estão todos aqueles roqueiros que lotaram os shows do Santana, do Oasis, U2, Rolling Stones e que lotam inferninhos como Fun House e Outs nos finais de semana. Humm, será que eles podem ser chamados de roqueiros, ou estão aí apenas por modismo? Afinal o rock voltou a ser moda, assim como o reggae, forró universitário, música eletrônica. Ou será que o cara que curte rock tem a cabeça mais aberta e também gosta de um sambinha ou rap?

A verdade é que o rock virou apenas mais uma mercadoria de consumo e, me perdoem os estudantes de jornalismo, mas Adorno está certo ao dizer que o mercado cultural absorve tudo à sua volta, transformando-se apenas em mais uma industria que vende a cultura como um simples bem. A industria da música nada mais é que mais uma engrenagem capitalista. Tudo o que o rock representou de rebeldia durante sua história foi incorporado e ajustado de acordo com o que o consumidor quer e mesmo quem diz lutar contra esta industria quer, na verdade, fazer parte da mesma, mesmo que seja com um produto um pouquinho diferenciado.

O rock hoje não assusta ou surpreende. Tudo é muito bem pensado por produtores e diretores de gravadoras, sejam elas grandes ou simples selos. Não existe mais aquele papo de que fulano é apenas uma cria de gravadora, porque boa parte da música que você ouve nas rádios é fruto destas crias de gravadora, até mesmo aqueles que afirmam ter gravado seus discos sem interferência. Afinal o sonho de todo músico é tocar em rádio e vender milhares de cópias, ou estou errado?

Escrito ao som de T-Rex, Alan Parsons Project, Premiata Forneria Marconi, Jefferson Starship, Guns and Roses, Def Leppard, Housemartins, Mission e mais um punhado de bandas de todas estas vertentes que fazem parte da arvore do rock.

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