O fim da Brasil 2000?

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Claro que a Kiss continua viva, mas é uma rádio voltada para o classic rock, não toca lançamentos e quase nada de pop/rock nacional. Tais boatos, cada dia mais fortes, comentam sobre mudanças também na Kiss, que aos poucos começa a tocar canções mais atuais, tentando assumir a posição da própria Brasil 2000 e também da 89, assassinada em junho.

Por enquanto tudo gira em torno de especulações, e a programação da Brasil 2000 continua a mesma, clássicos, alguns lançamentos e bandas nacionais, mas sem os programas específicos, sem locutores - apenas dois continuam, sendo que um deles dá pinta de deixar a locução gravada -, sem publicidade. Ou seja, uma rádio largada às moscas, sem cara própria e realmente esperando que o último funcionário apague as luzes. O engraçado nisso tudo é olhar para o Ibope de julho - depois do fim da 89 - e encontrar a Brasil 2000 em um honroso 13º lugar, posição que, se bem aproveitada, poderia render uma boa grana para a emissora e assim evitar o fim de uma das únicas rádios no país que ainda mantém uma programação aberta a artistas sem vínculos com as grandes gravadoras. O duro é perceber a incompetência da direção da Universidade Anhembi Morumbi nesta história toda, afinal a culpa da emissora estar desta forma é da direção da universidade.

A Brasil 2000 nunca foi uma rádio disposta a brigar pelos primeiros lugares na audiência, nem mesmo entre as rádios do mesmo segmento - na época de sua inauguração havia a 97 FM, de Santo André e que virou dance nos anos 90, e a 89 FM. A Brasil sempre foi o patinho feio nesta história por contar com menos potência que as outras emissoras, por não ter antena na região da Av. Paulista, por manter uma equipe que mais parecia amadora que profissional cuidando da área de produção e locução. A coisa só mudou de figura quando o Tatola, recém-saído da 89, foi chamado para trabalhar na rádio e trouxe uma visão diferente, dando uma modernizada na cara da rádio e fazendo da Brasil 2000 uma rádio que podia sim competir com outras emissoras, mesmo que pra isso tivesse que deixar a música alternativa de lado e apostar no mainstream, mudança mais visível durante a gestão do Pastor na coordenação da rádio - uma das poucas épocas que a Brasil realmente deu lucro.

Com a saída do Pastor e entrada de Kid Vinil, infelizmente, a Brasil 2000 começa a descer a ladeira. Apesar de ganhar credibilidade e se transformar na única rádio brasileira realmente segmentada - no caso apostando no indie rock -, a emissora perde audiência e, com isso, anunciantes. Depois de pouco mais de um ano, Kid Vinil deixa o cargo de coordenador geral e novamente a Brasil tenta descobrir seu caminho. Rubinho, locutor até então, assume o cargo que era do Kid e faz exatamente o que o próprio Kid já havia comentado em entrevista que fiz com ele no começo de 2005: mescla a programação, tocando músicas mais pop e mainstream, junto com o indie de antes. Mas a mudança vem tardiamente e a rádio nunca mais se recuperou. Primeiro vieram os boatos de que o grupo Bandeirantes iria arrenda-la, tanto que durante as manhãs escutávamos, no lugar do rock, a programação da Bandeirantes AM, com o programa O Pulo do Gato. A chiadeira foi gigantesca, imprensa e ouvintes se revoltaram com a possibilidade da mudança e a direção a Anhembi Morumbi negou qualquer tipo de acordo com a Bandeirantes, que, na época, já dirigia a 89 FM. Os fãs ficaram tranqüilos por um tempo.

Só que nada da rádio se recuperar, com as negociações com a Bandeirantes todos os programas antigos saíram do ar e aos poucos os locutores também foram demitidos, restando os dois que comentamos no inicio deste artigo. O medo agora era que a rádio fechasse as portas de uma vez. E pelo jeito é o que vai mesmo acontecer.

A Transamérica já tentou, lá por 1995, fazer uma programação mais rocker e chegou quase ao fundo do poço, tanto que menos de um ano depois voltou com o força ao pop. Dificilmente eles arrendariam uma emissora para manter a programação com um estilo que a própria Transamérica já havia testado e se dado mal, então, caso a ´compra´ seja realmente verdadeira, São Paulo perde mais uma ´rádio rock´

E fica a pergunta: será que uma metrópole com mais de 12 milhões de habitantes - sem contar a grande São Paulo - não tem público para duas rádios roqueiras?

Para ler sobre o fim da 89 e entender como as rádios trabalham clique aqui...

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