A cultura da (má) FM e a vitória do putz putz

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Na semana passada fui convidado para discotecar na festa junina da editora que trabalho. Ótimo, já estava com saudades de “brincar” de DJ, mas lembrei que costumo tocar pop rock, com um carinho maior pelos anos 80.
 
Claro que sabia que encontraria públicos bem diferentes, com gostos opostos e, obviamente, por ser uma festa junina, canções típicas também entrariam no set. Pra falar a verdade, tinha certeza que teria que ir atrás do pop mais rasteiro, daquele que encheu o saco de tanto tocar nas rádios e aí a primeira dúvida: qual seria esse pop?
 
Entre Asa de Águia e Erasure, creio que a palavrinha pop esteja mais ligada ao duo inglês que à banda nordestina, ainda assim pedi para que me avisassem antes sobre o que gostariam de ouvir durante a festa – sim, sou um DJ bonzinho e aceito pedidos. Como ninguém pediu nada “estranho” montei meu set de forma bem eclética, com música eletrônica, hits dos anos 70 e 80, mais algumas coisas dos 90 e 2000.
 
Tudo tranquilo, até pedirem para que eu colocasse algo mais dançante. Bom, o que eu estava fazendo até àquela hora? Se uma pessoa não dança ouvindo Stop!, do Erasure, ou com You Get Me Hot, do Jimmy Bo Horne – clássico do funk setentista -, então não sei o que fazer. Bom, então tentei com New Order, B52s, Right Said Fred, Weathergirls, EMF, Village People, Michael Jackson e sei lá mais o que – foram mais de cinco horas atrás da mesa de som.
 
Alguns passinhos aqui, uma reboladinha ali, mas dançar mesmo, quase nada. A frustração aumentou quando me pediram para tocar música eletrônica, logo depois de ter entrado Devo, Depeche Mode e New Order. Expliquei que já estava fazendo isso, aí tive de ouvir que aquilo era muito rock. E isso me lembrou outra situação bem parecida, em uma festa oitentista no bar Darta Jones, aqui em São Paulo, quando tive que ouvir que não estava tocando coisas dos anos 80.
 
E é exatamente nestas horas que percebemos como a cultura musical do brasileiro é pequena. Música eletrônica, para a nova geração, é aquela sem vocalista, repetiviva e que toca em baladas descoladas da Vila Olímpia. Se tem vocal, bom, é rock.
 
Outro ponto, a molecada simplesmente desconhece canções clássicas do nosso pop/rock. Então, se não está na programação normal das FMs, não é conhecida e não serve para dançar – e essa explicação não saiu da minha cabeça, mas sim em um papo com um colega de editora, já acostumado às festas que rolam por lá.
 
Aí fica aquela situação estranha. Você sabendo que está tocando música para dançar e o público te encarando sem entender porque o DJ enfia canções sem graça. No fundo comecei a pensar se realmente sirvo para “trocar discos” e meu respeito por esses caras aumenta ainda mais.

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