Shows por 40 reais? Só na Europa

Attention: open in a new window. PrintE-mail
A gigante produtora de shows Live Nation, em decisão conjunta com seus contratados, resolveu diminuir o preço dos ingressos para shows feitos na Europa. A idéia é ajudar os fãs europeus, que passam por um momento economico delicado, a conseguirem ver seus ídolos - claro que isso ajudará a empresa a encher os bolsos também.

Bom, quem acompanha o site sabe que já falei sobre o assunto algumas vezes, e peço desculpas por voltar a ele. Já tentei entrar em contato com as produtoras brasileiras pedindo uma explicação - sem conseguir resposta. E sabe que nada vai mudar a curto ou médio prazo. Mas a crise que fez com que uma gigante como a Live Nation cobre menos pelos ingressos é a mesma crise que fez nosso PIB ser negativo pelo segundo trimestre consecutivo, ou seja, o Brasil está enfrentando a mesma recessão que os europeus.

A alegação das nossas produtoras é que os impostos e a logística mais cara os obriga a cobrar ingressos com preços abusivos para a nossa renda - o engraçado é que na Argentina, com impostos também altos e com a mesma logística, é possível cobrar menos pelo tíquete. Outra explicação para a cobrança de valores diferenciados para shows em diversas cidades é o velho lema de quanto maior a procura, mais caro é o produto. Só isso explica um ingresso custar quase o dobro para um show em São Paulo, em relação ao de mesmo artista em Curitiba. Uma explicação mais porca é a de que devemos faturar em São Paulo, porque em outras cidades nada garante "casa cheia".

Mas a verdade é que a culpa é do público. O cidadão paga qualquer coisa para ver seu ídolo, não acredita? 45 mil pessoas viram a apresentação do Jonas Brothers em São Paulo, o setor VIP, com ingressos a R$ 600, estava esgotado dias antes da apresentação. O Kiss levou mais de 30 mil pessoas à Arena Anhembi. O McFly sete mil por noite no Via Funchal. Muitos adolescentes que viram o Jonas Brothers, também curtiram apresentação dos ingleses do McFly na mesma semana. Poderíamos falar de vários shows - Queen, REM, A-Ha, entre outros -, mas seria abusar da sua paciência, leitor.

A verdade é que shows musicais deixaram, já há um bom tempo, de ser uma atividade acessível. Aos poucos, curtir o show de seu artista favorito vai se transformando como ir ao teatro. Ingressos caros, apresentações curtíssimas e todo mundo saindo como se estivesse no melhor dos mundos, quando estamos no Brasil. País pobre, com uma das piores divisões de riqueza do planeta, mas um lugar em que as pessoas comem farofa e arrotam caviar, como dizia minha avó.

Se os europeus, que são realmente ricos, podem pagar apenas 15 euros  por um show, cerca de R$ 40. Somos obrigados a pagar, no mínimo, 100 reais para um show. Claro que se você tiver uma carteirinha falsificada de estudante vai pagar menos, mas aí é outra história.

Facebook

AGENDA

<<  April 2014  >>
 Mon  Tue  Wed  Thu  Fri  Sat  Sun 
   1  2  3  4  5  6
  7  8  910111213
14151617181920
21222324252627
282930    

NEWSLETTER

Deixe seu nome e e-mail para receber nossa newsletter.