As vezes ser argetina é bom

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Faz tempo que nosso Brasil vem se assolando em diversos problemas culturais, políticos, sociais, econômicos e blá-blá-blá. É o presidente que rouba e todo mundo diz amém a ele, é o Ministério da Cultura que apóia a música mainstream com dinheiro público ao invés de ajudar aquele que precisa realmente dessa grana – e muitas vezes é bem melhor que muito famosinho por aí -, é gente tendo que se virar com salário abaixo do sustentável... são tantas coisas “banais”, não é mesmo? Você já se acostumou com isso que nem se levanta mais do sofá para escrever cartas aos jornais, para fechar uma manifestação com aquele amigo revolucionário da faculdade. É meu amigo leitor, você é então um acomodado. Mas não se culpe. 

Muitos de nós, brasileiros, não fazemos nada quando as coisas apertam. Engolimos quietos e a seco muitos golpes que foram desferidos na nossa cara. Mas será que vamos engolir a morte de uma criança de seis anos de idade em um assalto? “Se já é normal bala perdida matar criança...”, deve estar pensando algum de vocês. E sinceramente, infelizmente essa é a realidade. Será que vão precisar morrer seus filhos, filhas, primos, sobrinhos, alguém próximo a você? Do jeito que anda as coisas, não duvido. É a famosa frase clichê sobre o ser humano: “só aprende batendo a cabeça”. Será que já não batemos por demais a cabeça para aprendermos a mudar? Ou será que é preciso queimar seu carro e sua família viva, como em São Paulo, para tentar mudar?

O verbo ´tentar´ implica uma ação, ainda que tardia. Chega de apenas tentarmos. Está na hora de começar a fazermos. Está na hora de copiar nossos vizinhos. O presidente roubou? Panelaço em Brasília! Não quer sair do poder? Mais panelaço. Matou, estuprou? Se o povo não linchar, que o Estado dê penas severas. Não essa porcaria de trinta anos. Diga uma coisa: trinta anos é muito para aqueles que mataram João Hélio no Rio de Janeiro? É pouco para Suzanne Ritchoffen que matou aqueles que a colocaram no mundo com frieza e crueldade? Se você disser que sim, me desculpe mais uma vez. Pensei que estava na Argentina.

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