Uma amostra da Free Records
Written by Mauricio Varnum Carvalho Monday, 16 April 2007 22:42
Foi um evento dos mais interessantes, bem organizado e com cinco bandas dispostas a provar porque mereceram a chancela de totalmente ´free´ que a gravadora lhes deu. Todos os conteúdos estão disponíveis no site da Free Records. Não precisa pagar nada. Melhor que Itunes não? Mesmo assim, ela se precaveu e também têm os chamados ´cds físicos´, que são os disquinhos, caso você seja como eu, um aficionado por música digital, mas ao mesmo tempo um saudosista que cataloga seus álbuns na prateleira. Porém, da gravadora propriamente dita falaremos logo mais.
Denny Boy e os Borbulhantes abriram a Mostra e o que se vê é um som despojado, totalmente calcado no rock de guitarras gordas e veia bluseira, onde as letras são quase declamadas. A presença de palco de Denny Boy é fantástica e ele é performático, quase sempre se balançando como Eric Clapton em seus bons momentos e a técnica de seu baterista, que mesmo em um kit pequeno, mostrou que conhece bem o riscado. O Vento Motivo, que já tocou em rádios com a radiofônica ´Luciana Vai Pra Guerra´, foi a segunda banda. Em vários momentos tive a impressão de estar vendo aqueles shows de rock dos anos oitenta, com muita música de protesto, bem humoradas e uma banda que opta pelo simples. Eles estavam lançando o disco ´Há Há´ e ´Porra, Filho da Puta´ funcionou como um grito contra a roubalheira, cada dia mais ignorada neste país.
Dr. Zero, a irreverente banda de Kacique Zero, um dos idealizadores da Free Records ao lado de Fernando Ceah, protagonizou cenas engraçadas. Vestidos a caráter para uma festa brega, deram o recado de que na vida, basta ser feliz e ´ximbador´. 4 Cantos, uma banda no melhor estilo pop-meloso-grudento iria tocar. Para minha surpresa, o grupo, originalmente um quinteto, veio reduzido a um trio acústico, o que gerou grande expectativa de quem estava por lá para conferi-los. E não é que a fórmula agradou? Músicas do disco ´Vanila´ ganharam novos arranjos, conferindo uma simplicidade belíssima, que fazia com que você esquecesse sua imparcialidade jornalística por alguns minutos.
E por último ficou Bigu Responsa. Com um nome já indicador da tarefa que ele teria pela frente, ele não se fez de rogado e mandou seu som, calcado numa saudável mistura entre as influências afro-brasileiras e o som black (inclua-se nessa definição o soul, o funk e o r&b). O som fez a cabeça de todos e mostrou que uma banda formada em cima da hora, segundo o próprio Bigu, tem tudo para estourar. Ainda mais quando os talentos de diferentes estilos se misturam criando som próprio. Vide a virtuose do guitarrista de Bigu, muito bem colocada no meio de tanto groove e rimas.
Com um cast diversificado e uma proposta diferente a Free Records aproveita ue o mundo digital está sendo visto com outros olhos pelas gravadoras grandes e médias. Não vender música é a contramão da indústria no atual momento? É, porém, ´Creative Commons´ é uma saída saudável para evitar os jabás que persistem nas rádios brasileiras. Se ela vai dar certo? É uma aposta. E como todas que já foram feitas na música, ela vai precisar de torcida, reza brava e um pouco de sorte. Ou de talento. Ou de negociações. Ou de esperteza. Ou...

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