A doce insegurança do rock and roll

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E é justamente por conta disso que volto a escrever artigos aqui na Drop. Havia dado um tempo por questões profissionais e principalmente, por questões criativas. Sentia que não tinha o que dizer sobre qualquer coisa relevante naqueles momentos em que vocês – nossos leitores – não viam a chamada de um novo artigo meu. Porém, as cornetas e trombetas ressoam, porque voltei a deixar meu testemunho. E quem sabe com um pouco de criatividade, não? Por falar nela, tenho a impressão que ela está em falta no rock and roll. São poucas as bandas que realmente criam algo novo. Pode não ser interessante e até mesmo algo muito ruim de ouvir. Porém, não deixa de ser... criativo. Existem explicações plausíveis para isso? Existem; claro. Não há nada sem alguma teoria ou conspiração maluca. Um exemplo? As bandas de rock progressivo dos anos 70. 

Esses grupos sempre ousaram nas experimentações, tecnologia, efeitos, viradas, riffs, grooves e duração (e bota duração) de músicas. Alguns se deram bem e outros... Bem, deixa para lá. O fato é que muitos estavam seguros em arriscar e mudar a forma como o rock vinha sendo feito. A mesma coisa aconteceu com a bossa nova – ainda que eu deteste. Ela nada mais é que o jazz aplicado em suaves “swings” brasileiros. A mistura deu tão certo que abriu o caminho para outras bem brasileiras, como o samba-rock, o forróck, entre outras vertentes. E por que raios isso não acontece agora, meus caros leitores?  Essa é a pergunta que vale um milhão de dólares. Ela não acontece, pelo menos para o que vem do mainstream, porque o público não está preparado para algo novo. Não estou dizendo da parcela - grande, admito – de pessoas que burilam e peneiram novas tendências na internet, nas pequenas gravadoras, nas casas underground. Estou dizendo da quantidade de pessoas que compram o cd original ou não, que lotam shows de artistas consagrados e que, principalmente, os colocam nas paradas (ainda que tenha jabá) de sucessos. Para essa fatia, acostumada a ouvir o que dizem e a formar opinião condicionada pelo que muitos falam, a criatividade é nula. Ou há alguma explicação para o Karnak não fazer sucesso?  

Aí vem a voz que diz, “o grupo é bem conceituado na mídia”, “faz show lotado a cada ano”. Pergunto novamente, qual o motivo para a banda não fazer sucesso? Vender bastante? Fazer turnês aclamadas? A velha desculpa de que não há espaço para bandas inventivas, infelizmente, cabe aqui. Outro exemplo: o Flaming Lips. Os caras são geniais. Qual foi o momento de sucesso no Brasil? Quando causaram no palco do “Claro que é rock”, onde fizeram a festa. Alguém se lembra deles? Eu lembro. E você? Fantomas? Tortoise? Porcupine Tree? Alguém conhece? Muitos dentro de poucos. E só. Ninguém se interessa mais ela criatividade. Tudo se cria e tudo se copia, é o ditado. No rock and roll, a doce insegurança – metáfora chinfrim, mas que espero que tenham entendido ao longo do artigo – rouba estes clichês e cria – pasmem! – um novo: a volta do passado.

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