Festivais, dinheiro e música

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O título é esclarecedor. Festivais trazem dinheiro que paga a música tocada nos palcos. Será? E que tal esta outra equação: a profusão de boas bandas cria a necessidade de se fazer um festival, que vai gerar receita e novos empregos, sejam fixos ou temporários. Ta, eu sei que parece discurso político mas é mais ou menos isso que a imprensa alardeou sobre o  Coachella ser o maior festival do mundo. Isso é, financeiramente falando, já que em termos de duração acho difícil bater o saudoso Rock in Rio.
 
 
Foram mais de 200 milhões de dólares arrecadados em apenas três dias. Para ser mais exato, US$ 225 milhões. A escalação das bandas também ajudou bastante no feito. Árcade Fire, Céu e outros números fizeram a festa das 85 mil pessoas que se espremeram no deserto. Alguns grupos que iriam participar da festa lamentaram ficar de fora por causa daquele vulcão de nome impronunciável na Islândia. Com elas, acredito, a quantidade de público teria sido maior e também a arrecadação. Outro grande festival que arrecadou bastante dinheiro foi o Rock in Rio Madrid. Foram mais de US$ 200 milhões, com vários artistas de renome, Shakira, etc. A bufunfa arrecadada parece muito, mas é pouco perto do time escalado para fazer a festa e o tempo de duração: dez dias.
 
E quanto aos que acontecem no Brasil? O de maior faturamento na história, claro, foi o Rock In Rio. Não sei precisar ao certo o tamanho do arrecadamento, mas ele gira – pelo menos o da última edição, em 2001 – em mais de R$ 100 milhões. A escalação deste teve o mesmo prestígio da do primeiro festival, em 85. Mas não teve a mesma qualidade. Alguns shows, claro, foram piores. Mas não convém comentar. Já que o assunto ainda é festival, recentemente participei com a Springfield Nükes no Manifesto Rock Fest. Como o nome diz, é um festival do bar Manifesto, um dos mais importantes da cena roqueira de São Paulo. Bem organizado, produzido e com escalação que propicia a mistura e a união de bandas, ele é sinônimo de sucesso. E digo por que também participei da edição de 2008, que acredito ter sido a segunda ou terceira, com a minha antiga banda, a Buck. Desde aquela época, o organizador – Leandro Píru – já se preocupava na qualidade das apresentações, da estrutura oferecida e claro, com o comprometimento das bandas.
 
Neste ano, vários recorde foram batidos. Bandas que realmente se dispuseram a participar do evento, fazendo promoções, convidando pessoas, etc. Na final, o Manifesto estava abarrotado de gente. E com muitas outras pessoas querendo entrar no bar. Outro festival que merece ser lembrado é o BMU – Brasil Metal Union. A idéia, claro, era mostrar que o cenário metálico brasleiro é unido e que o público apóia as bandas compatriotas. Começou na Led Slay, com lotação máxima. Terminou no Espaço das Américas, com estrutura boa, divulgação talvez deficitária e muita gente órfã de bandas interessantes deste estilo. Qual a diferença destes para os festivais mais graduados? Do ponto de vista empresarial tudo. Dinheiro, gente disposta a investir e principalmente paciência do mercado para fracassos. Na era do instant acess, fracassar infelizmente não é preciso.
 
Mas do ponto de vista prático, estes festivais “menos rodados” são e merecem servir de inspiração. Cast sempre bem balanceado, ingressos acessíveis, parceiros dispostos a crescer junto com os eventos e sorriso no rosto das bandas em cima do palco. Se todos tiverem isso, cada vez mais o público vai se identificar com eles. E aí, faturar e ser feliz.

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