União no metal brasileiro é possível

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Ao ver o show do Angra e do Sepultura comecei a pensar como seria a vinte anos. Veio-me à mente aquelas cenas dantescas de carecas, punks, cabeludos e alternativos se digladiando dentro e fora da galeria do rock em São Paulo.

O motivo? Nada muito nobre, apenas bater em quem não gosta do seu som ou de como você se veste. Mais ou menos como se vê hoje em algumas partidas de futebol, shows populares e outros eventos que nunca estiveram ligados ao “monstruoso” heavy metal. Aliás, nada melhor do que o universo futebolístico para exemplificar as duas bandas. Uma é referência quando o assunto é Power metal/melódico no Brasil e no mundo. Outra é criadora do trash/death metal no país e estandarte das raízes brasileiras lá fora. Se fosse um jogo, seria um Fla x Flu ou um Corinthians e São Paulo da maior grandeza.
 
Os dois shows eram especiais. Marcavam a volta definitiva do Angra e as comemorações de 25 anos do Sepultura. Cada banda com seus problemas e histórias com ex-integrantes, lavagem de roupa suja na mídia, erros, acertos e principalmente, fãs. A dupla apresentação, num primeiro momento, era para eles. Não importava o set list e nem se tocariam a mais ou a menos. Os amantes dos dois grupos estariam ali. E estavam. Segundo me contaram pelo menos quatro mil pessoas fizeram questão de assistir ao show único.

No caso do Angra, uma apresentação marcante e nervosa. Ricardo Confessori voltou ao grupo depois de dez anos de brigas e mal-entendidos. Errou algumas coisas, o que é normal para um músico que não teve muito tempo para se preparar. O contrário ocorreu justamente com o Sepultura. Mas isso é irrelevante perto da celebração que foi a noite. Ver dois públicos “conflitantes” cantando músicas das duas bandas em paz foi sensacional. Mais ainda foi a jam no final, onde Marcelo Pompeu do Korzus subiu ao palco para cantar “Guerreiros do Metal”, uma das primeiras músicas do heavy metal paulista.  Ficou claro através das manifestações das bandas que é possível sim, a união em prol do heavy metal brasileiro. Pelo menos do lado dos músicos, já que os produtores de show – a grande maioria – preferem não arriscar em patrocinar eventos voltados ao som nacional. Exemplos não faltam.
 
Brasil Metal Union é o principal deles. Trazia bandas boas do som pesado brazuca e quase sempre levava público. Mas o que aconteceu? O desinteresse por parte das casas de show, custos operacionais grandiosos, mídia sem retorno e até algumas bandas destruindo a imagem do evento. Fora, é claro, muitos fãs xiitas escondidos na internet. Sim, a internet ajuda e também afunda eventos. Se tivéssemos um cenário metálico mais unido – com a mesma força vista no show do Sepultura e do Angra – com uma mídia mais consciente, com a internet volta para divulgação e com mais eventos talvez o sucesso dos nossos grupos lá fora fosse algo natural. E não espantoso para muita gente.

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