Marco Ribeiro
Tenho enfrentado um problema que, cedo ou tarde, todos enfrentarão, seja em maior ou menor escala. O medo de envelhecer. Claro que se a coisa for levada na esportiva, considerando a frase que ficou célebre na voz de Cazuza de que o tempo não para, dá pra encarar numa boa com alimentação de qualidade, exercícios físicos, uma postura otimista e uma caixinha de viagra (êta papo pra consolar véio).
Já
faz algum tempo que os guitarristas punheteiros de bandas de metal
melódico, neometal e afins são reverenciados no cenário musical. No
Brasil, onde é quase lei lamber a bunda dos gringos, a coisa não é
diferente. Grandes instrumentistas brazucas são apagados pela
indiferença da mídia e público e poucos conseguem o devido lugar que
merecem.Antes que o leitor torça a boca e pense ´lá vem choro´, já
adianto.
Como
todos os interessados no mundo da música já deve saber, o mais
influente grupo brasileiro de todos os tempos, os Mutantes, vai se
reunir dia 20 de maio, em Londres, para uma apresentação que vai se
extender para outros lugares, inclusive ao Brasil, e deve virar disco
futuramente. Para os fanáticos (como eu), é como ver a volta dos
Beatles.
Lembro
como se fosse ontem. Estava eu, a caminho do cinema, com o dinheiro
contado das entradas e do saco de pipocas (só um saquinho mesmo),
acompanhado de uma garota que eu levara meses para convencer a sair
comigo, quando parei em uma loja de discos, tipo sebo, e fui dar uma
olhadinha no acervo, sob protestos da moçoila, que queria chegar cedo
para pegar bons lugares. Insisti e entramos.
Resolvi
escrever uma saga comentando os dez discos que mudaram minha vida.
Minha mesmo. Não estou me referindo a uma geração, a indústria
fonográfica ou a história da música. Estou falando de mim mesmo, o
Marco, a lenda viva incompreendida.
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