Marco Ribeiro
No início dos anos 80, quando eu era um garoto que achava a vida chata porque a garota mais bonita também era a mais rica e me fazia de escravo pro seu bel prazer (isso não me é estranho!), guardava dinheiro que o meu pai dava pro lanche e juntava até ter o suficiente para comprar algum bolachão (disco de vinil) que eu estava paquerando.
Responda rápido. Que referência musical você tem de Manaus? Não sabe? Quer pedir ajuda aos universitários? Eu não devia mas vou ajudar. Vejamos alguns nomes que vão refrescar sua memória. Vinícius Cantuária - que fez parte da primeira formação do Terço (sim, aquela banda que virou 14 Bis e que é receitada por alguns médicos para cura da insônia) e que há tempos picou a mula para os states onde anda gravando um jazz muito bem elaborado, contanto inclusive com a participação de Sean Lennon em seu último trabalho - e Chico da Silva, compositor de mão cheia, perpetuaram sucessos nacionais em outras vozes como as de Caetano Veloso (Lua e Estrela) , Alcione (O Surdo) e Fafá de Belém (Vermelho) ou mesmo em suas próprias interpretações (no caso de Cantuária, Só Você, que tocou muito na década de 80 e que, recentemente, ganhou uma versão sem sal de Fábio Jr).
O título desse artigo - parodiando o maior sucesso de Waldick Soriano - é pelo seguinte motivo: muita gente metida a intelectual e a inglês deprimido, torce a boca quando se fala em certos artistas nacionais. Um dos mais hostilizados é o rei da jovem guarda, vulgo Roberto Carlos. Tá certo que, nos últimos dez anos, o cara ficou um porre, principalmente depois da morte da mulher mas, pera lá, descartar todo o conjunto da obra é uma grande burrada para quem pensa que conhece e gosta de música boa.
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