E agora, o Rock morreu ?

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Acho que já encheu o saco ouvir tanta gente falar mal do rock in rio 2011. Sim porque, mesmo com toda a razão do mundo, falar pelos cotovelos, protestar, reclamar mais que siri na lata não muda nada. O Sr. Medina está cagando e andando pros defensores do rock and roll e deve ter enchido o rabo de dinheiro no evento que, independente de qualquer coisa, parece que foi bem sucedido, com lotação esgotada em todos os dias.

Quero dizer o seguinte: Não me interessa se Ivetes, Claudias, Shakiras e tantas outras aberrações musicais foram escaladas. Não gosto do som, portanto não fui e não iria jamais. Simples assim. O que me deixa realmente puto é a utilização do santo nome do rock em vão.

Puta que o pariu. É muito frustrante ouvir as coberturas das emissoras (abertas ou fechadas) falando das atrações da cidade do rock. Porra, CIDADE DO ROCK!! Cacete, é incoerência, é antítese, é contraditório.

Imagine como seria estranho num evento chamado Samba Verão 2011 a presença do Sepultura ou Carnaval Globeleza com a abertura da escola de samba salgueiro e fechamento com o Motorhead. Ah, é estranho? Mas o rock in rio é assim mesmo, porra!! De rock teve quase nada.

É claro que tem os defensores e puxa-sacos hipócritas e demagogos que defendem a mistura ilógica afirmando que tudo é música, as pessoas merecem se divertirem, blá blá blá. Tá bom. Louis Armstrong dizia mesmo que só existiam dois tipos de música: a boa e a ruim. Concordo (com ressalvas, com o saudoso Satchmo). A questão aqui é o nome ROCK ser associado com coisas absolutamente nada-a-ver.

Um conhecido meu, sabendo da minha ojeriza ao festival, chegou disparando:
- Marco, eu fiz um descoberta hoje.
- O que foi Chico Canivete?
- Descobri que sou roqueiro. Os meus artistas preferidos (que são Ivete Sangalo, Claudia Leite e Martinho da Vila) vão tocar no rock in rio. Logo (pela lógica simplista dele) eu sou roqueiro.
Engoli o sapo porque assim como ele, trilhares pensam assim.

Olha gente, não sou radical a ponto de pensar que só deveria existir os estilos musicais que eu gosto. Não existiria luz senão fosse a escuridão, certo? Concordo que tenha espaço para todas as manifestações artísticas (ou não). Afinal, o povo é multifacetado e tem influências vindas de diversas culturas (brasileiras ou gringas).

Mas o que me deixa PUTO (de novo) é explorar o nome de um estilo que possui os seguidores mais fiéis de toda a história da música (talvez perca para o jazz, mas por bem pouco). Ser roqueiro, para mim, é orgulho, é modo de vida. Quem já não iniciou um papo com o desconhecido em algum lugar só porque um se identificou com outro por conta de (por exemplo) uma camiseta, sabe o que quero dizer.

-Ei cara, legal esse disco heim? (se referindo a minha camiseta com estampa do álbum In Rock, do Deep Purple)
- Pô cara, é o meu preferido.
- Legal, tenho todos do Purple e do Zeppelin (disse um senhor de meia idade, com cara de advogado, segurando um bebê no colo enquanto pegava sabonete no supermercado)

Ou...

- Cara, você conhece o álbum Coda? (depois de me examinar de longe por mais de dez minutos em uma loja de discos)
- Claro que sim, tenho a coleção do Zeppelin (respondi a um adolescente, com pouco mais de 16 anos, que olhava para a minha camiseta com estampa do Jimi Page)
- Eu também. Só falta o Coda (disse com um sorriso orgulhoso)
- Você tem a coleção em cd ou mp3?
- MP3, porque?
- Eu tenho tudo em vinil.
- Porrraaaa !! (disse arregalando os olhos).

Quem carrega no sangue o vírus do rock and roll sabe o que quero dizer e, com certeza, se identifica com os exemplos acima. É uma irmandade, percebe? E é por essas e outras que me sinto tão ultrajado com um festival que, se tivesse outro nome, não me afetaria em nada. Mas ao usar o nome do estilo batizado por Alan Freed e perpetuado por monstros sagrados como Beatles, Stones, Who, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Black Sabbath, Zeppelin, Made In Brazil, Mutantes e tantos outros, sem esquecer Nosso Senhor que está entre nós, (agora e para sempre, amém) Elvis Presley, me deixa, literalmente, de tripa virada.

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