A morte de Amy Winehouse

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Bom, mais uma estrela da música se foi aos vinte sete anos. Assim como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Kurt Cobain e Brian Jones, Amy Winehouse partiu sem atravessar a terceira década de vida.

Foi surpresa? Não, não foi. Sem querer dar uma de moralista (coisa que não sou, muito pelo contrário), Amy abusou muito de droga e álcool. Não sei se em algum momento ela acreditou que poderia ser igual ao Keith Richards ou Steven Tyler. Esses caras nem humanos são. Tomam gasolina e comem veneno pra rato como aperitivo e continuam na estrada. Amy era frágil, apesar da voz potente mas já fragilizada nos últimos tempos.

Fazendo um paralelo – e acho que muito o farão – a trajetória de Winehouse lembra um pouco Janis Joplin. Quem viveu o fim da década de 60 deve lembrar o impacto que foi ouvir a texana pela primeira vez. Apesar de divas como Ella Fitzgerald, Billie Holiday e Aretha Franklin já terem deixado a marca naquele período, a branquela chegou como um furacão e embasbacou cada criatura que escutava interpretações inesquecíveis com Summertime, One Good Man ou Try. Mas tomava umas cinco garrafas de Jack Daniels antes do meio dia e tinha mais furos no corpo que almofada de alfinete, devido ao uso abusivo de heroína. Não ia durar muito tempo mesmo.

Com a inglesa franzina foi quase a mesma coisa. Fora Joss Stone (ai, meu coração) que mexe com minha libido musical e me tira do sério com aquela voz linda e um par de pernas e levantar defunto, eu não levava mais muita fé nas cantoras. Quero dizer, era muito trinado, exagero interpretativo, melequeira sentimental, essa coisas. Parecia que ouvir uma era ouvir todas. Não sabia diferenciar Mariah Carey de Whitney Houston, por exemplo. Quando ouvi Rehab pela primeira vez, os pelos do braço arrepiaram. Bom sinal. Aquela voz grave, meio bêbada, bem diferentes dos rouxinóis chatos predominantes na indústria fonográfica, tinha sua personalidade. Comecei a prestar atenção no gravetinho cabeludo e vi uma grande cantora de R&B e, mais adiante, uma suicida roqueira em potencial. Ela acreditava e vivia intensamente a tríade sexo, drogas e rock and roll.

Parecia mesmo que o destino teria esse desfecho. Fazia parte do plano. Os dois discos (Frank e Back To Black)  são um legado pequeno, considerando o potencial da cantora que – como diria Lobão – preferiu viver dez anos a mil do que mil anos a dez. Era maluca, não era exemplo pra ninguém, viciada, porra louca, irresponsável (vide os shows que ficava cambaleando no palco), dentre outros adjetivos. Mas deixou sua marca assim como os citados no início deste textículo.

Aí vem um idiota e fala: ah, se ela não fosse do jeito que era, poderia ter vivido muito até ficar velhinha e cantar pros netos. Mesmo conhecendo superficialmente Amy, acho que ela preferia a morte mesmo. E se ela fosse diferente, não seria Amy Winehouse. Seria, sei lá, Ivete Sangalo ou Sandy.
 
Termino essa nota de pesar - sim, porque para quem gosta de música de verdade, fica chateado com uma perda destas -  sendo piegas até a alma e citando um trecho da canção Love In The Afternoon, de Renato Russo: é tão estranho, os bons morrem jovens. 

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