Língua portuguesa

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Começo pelo estrangeirismo que vem ganhando terreno ao longo do tempo e parece ter se instalado definitivamente no país de Drummond. Não acredita? Então tente lembrar quando você escutou, numa conversa empresarial por exemplo, termos como ´conhecimento´, ´estado/situação´, ´todo tempo´, ´sentimento´ ou ´iniciar´? Tenho certeza que poucas. Mas são familiares as palavras ´know how´, ´status´, ´full time´, ´feeling´ ou ´startar´ não é mesmo? Pois é, Tio Sam tem tanto poder que infiltra sua língua em lugares onde o analfabetismo é gritante. Lembra muito que aconteceu aqui mesmo, no país tropical, quando a França era a bola da vez, no início do século XX. O francês era usado pelas famílias tradicionais e o português era a língua da ralé. Todos queriam educação francesa tanto que muitas palavras se ´aportuguesaram´ e hoje usamos sem mesmo conhecer sua origem.

Mas vamos a outro fato preocupante. Tudo bem em usar termos estrangeiros como linguagem técnica mas o que não podemos é esquecer a língua materna ou mesmo deformá-la. Exemplos? Já houve até campanha para protestar contra o gerundismo mas parece que a batalha foi perdida. Quem quer falar bonito acaba metendo os pés pelas mãos e soltando monstruosidades como ´vamos estar recebendo´, ´o seria poderia estar enviando´ e congêneres quando simples e eficiente seria dizer ´vamos receber´ ou ´pode enviar´. Já pensou se a moda pega e letras como ´vou deixar a vida me levar´ forem escritas como ´vou estar deixando a vida me levando´. Socorro!!!

Outra barbaridade no quesito concordância é ouvida quase diariamente em jornais. É comum ouvirmos notícias que dizem que ´10% das pessoas entrevistadas afirmaram que alguma coisa´. Os revisores de texto esqueceram que o verbo deve concordar com o numeral e, portanto, 10% afirma alguma coisa.  O mesmo vale para quando se usa o termo ´maioria´: ´a maioria dos eleitores estavam cansados´ quando o ´cansados´ deveria concordar com a maioria. Então ´a maioria dos eleitores estava cansado´. Ouço e leio este tipo de barbárie em jornais de renome. A última vez que lembro ter ouvido a frase construída de forma correta na televisão foi num episódio da Carga Pesada. O Bino quem disse.

Tudo isso sem contar os ´errinhos´ cotidianos que de tão usados acabam sendo considerados certos. Exemplos? Pra mim e não pra eu, a nível de alguma coisa, a abreviação de horas de diversas formas (8:00hs, 8hrs..e nunca 8h00), ligar para receber MAIORES informações e nunca MAIS informações.

Se você chegou até a esse ponto deve estar me achando um xarope. Mas pense bem. Se você gosta de ler, gosta de música (boa), cinema e afins é obrigado a concordar comigo.

O que fazer? Sei lá. Só queria desabafar.

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