Eu não tenho vergonha não...

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Filho de um relojoeiro com uma costureira, ele nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, lá nas bibocas do Espírito Santo, há exatos 64 anos. Era um garoto como outro qualquer mas que desenvolveu um gosto especial pela música de tanto ouvir rádio. Ainda criança, aprendeu a tocar violão e piano e fez sua primeira apresentação aos nove aninhos, quando a mãe, Dona Laura, o levou para cantar na rádio local, um bolero chamado Amor Y mas amor.

Mais tarde, já adolescente, viu nascer a era do rock no Brasil com Cely Campelo e, como todo adolescente, se rendeu às guitarras. Partiu para o Rio de Janeiro, onde conheceu o Tremendão Erasmo Carlos e conseguiu chegar a Carlos Imperial, o cara que comandava o programa Clube do Rock. Depois de algumas apresentações com o grupo The Snakes (onde estavam Erasmo e Tim Maia), Roberto passou a ser apresentado como o Elvis Brasileiro e mandava nos covers de Tutti Frutti, Teddy Bear, Long Tall Sally, e por aí afora. Daí pra comandar um programa foi um pulo  e o resto é história.

Depois de ter apertado o cinto durante uns meses, comprei duas das três caixas lançadas da série Pra Sempre, que resgata a obra de Roberto dividida por décadas e tem o atrativo de reproduzir as capas tal qual eram nos vinis, com plástico e tudo. Isso sem contar que todos têm um encarte com as letras. A dos anos 60 é obrigatória para quem é fã do rock básico e de Beatles. As letras são ingênuas, chegando ao nonsense, tipo aquela do cara que é abordado pelo guarda do trânsito depois de uma barbeiragem e dá a desculpa esfarrapada de que foi atrapalho pelo cupido. Se fosse hoje, levava umas porradas e uma multa por brincar com a autoridade.

Mas eram outros tempos. Solos contagiantes, gritos e historinhas tolinhas eram o tempero desta fase deliciosa. Quando virou os anos 70, Roberto já havia adicionado a veia soul que, creio eu, o amigo Tim Maia lhe apresentara na ocasião. Os discos deste período são os meus preferidos. As letras deixaram o lance de namoro de portão, andar de mãos dadas, ver a lua e tal para partir pra sacanagem propriamente dita, que é o que interessa. Robertão devia deixar a mulherada molhadinha com músicas como Cavalgada, Os Seus Botões e Seu Corpo, e ainda dizia que ´tudo que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda´. O cara era foda mesmo. Mas é o lado, digamos, social de RC que me faz ser um de seus admiradores e um defensor da sua obra e da importância que ele exerceu no povo e na cultura brasileira nos últimos 40 anos. As mensagens contidas em músicas como As Baleias, O Progresso, O Ano Passado, dentre outras, mostram um artistas preocupado com o futuro da humanidade, da natureza, do planeta. Uma preocupação que todos deveriam ter.

Então, meu caro amiguinho ou amiguinha que adora tachar de brega tudo aquilo que a sua tia adora ouvir, faça como o elefantinho Dumbo. Abra as orelhas.

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