Mutantes: a volta
Written by Marco A. Ribeiro Saturday, 06 May 2006 22:00
O
problema destas reuniões de dinossauros é que acaba estragando a mágica
que se fez nos tempos áureos. Pra começar, Rita Lee não topou
participar. No lugar dela foi escalada Zélia Ducan e sua voz grave, o
que já descaracteriza a linha vocal original. Fernanda Takai (Pato Fu)
era a mais indicada mas não aceitou por conta dos compromissos do grupo
mineiro.
Outra coisa. Arnaldo Dias Baptista, o mentor intelectual da banda, ficou meio lelé-da-cuca desde que se atirou de um prédio há mais de vinte anos. Ouvir o cara falar hoje em dia é até constrangedor. Parece uma criancinha monga. O único que ainda vale a pena assistir ao vivo é o monstro sagrado Sérgio Dias, que continua firme em sua carreira e é, sem dúvida, um dos melhores guitarristas do planeta.
Mais um ponto: o repertório. Não sei extamante qual o set list mas imagino – e espero – que as músicas escolhidas sejam retiradas dos cinco primeiros (e sensacionais) discos da banda. Depois que Rita Lee “capou o gato”, os irmãos Baptista conduziram a sonoridade do grupo para algo que lembrava muito o que se fazia lá fora, ou seja, aquele rock progressivo com solos intermináveis e letras psicodélicas.
Mas Mutantes são Mutantes. Impossível não se emocionar com a possibilidade de vê-los tocando juntos novamente. Quem não conhece, pode aproveitar a oportunidade do relançamento de toda discografia oficial, incluindo o álbum em inglês – Technicolor – que seria o cartão de visita no exterior mas que só foi lançado muito tempo após a dissolução da banda. Mas isso não impediu de gente como Curt Cobain (Nirvana), Sean Lennon e o pessoal do Talkin Heads não conhecese e se apaixonasse pelo som inovador e futurista da trupe dos Baptista, mesmo (e principalmente) nos dias de hoje, onde a criatividade está em baixa e o que importa é copiar. Vamos ver no que vai dar.

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