Ultraje a Rigor
Friday, 07 January 2005 21:00
Silvio, pouco depois, sairia da banda dando lugar ao Mauricio que assumiu o baixo. Com esta formação, participam em 83 do projeto Boca no Trombone, no antigo Teatro Lira Paulistana. Este foi o primeiro show do grupo apenas com composições próprias. Graças a estas apresentações, Pena Schmidt, que estava procurando novos artistas para a WEA, os viu, gostou e os levou para a gravadora. Gravaram seu primeiro compacto, com Inútil e Mim Quer Tocar, a censura caiu de pau, graças a letra de Inútil e o compacto levou vários meses para ser lançado. Neste meio tempo Edgard Scandurra, já estava fazendo vários shows com o Ira e teve que sair porque não estava dando conta de tocar e excursionar com as duas bandas. Para o lugar dele foi chamadoo guitarrista Carlinhos. Com a nova formação lançam outro compacto, agora com Eu Me Amo e Rebelde sem Causa. Em 84, Eu me Amo, foi bem recebida pelas rádios, mas foi somente no ano seguinte, e com o lado b deste compacto, Rebelde sem Causa, que o grupo realmente explodiu.
Neste mesmo ano, finalmente, lançam o primeiro LP, Nós Vamos Invadir sua Praia, o nome é uma brincadeira com o fato de que nenhuma banda paulista havia conseguido sucesso no Rio de Janeiro. O disco, que tinha todas as músicas já lançadas em compacto, foi puxado por Ciúme e foi o primeiro disco de uma banda de rock brasileira a ganhar um disco de ouro e depois um de platina. De todas as músicas, onze no total, nove tocaram por rádios de todo o país e o Ultraje quebrava recordes de público por onde passava. Claro que tiveram uma ajudinha, durante o primeiro Rock In Rio, os Paralamas do Sucesso, tocaram Inútil para milhares de pessoas, o que contribuiu para a fama do Ultraje a Rigor. Uma das músicas mais esperadas em todos os shows era Marylou, que virou até marchinha de carnaval em 86, sendo tocada até hoje pelos bailes, se tornando um clássico do rock nacional e também do carnaval.
Em 87, lançam seu segundo trabalho, Sexo!!, e também começam as mudanças dentro da banda. Durante a gravação do disco, Carlinhos resolve deixar o grupo e se mudar para Los Angeles, onde monta sua própria banda. Para o seu lugar, entra Sérgio Serra. Novamente o disco foi um sucesso, contando até com música, Pelado, na abertura de uma novela da Globo além dos hits Sexo e Terceiro. Para o lançamento deste disco, a banda armou uma apresentação surpresa em cima do Shopping Center 3. O show, histórico, causou quilômetros de congestionamento na cidade. Saem novamente em turnê pelo Brasil.
Dois anos se passam e lançam o terceiro trabalho, Crescendo, o disco foi bem de vendas, mas a critica o massacrou, aparentemente já estavam cansados do humor do Ultraje, ainda mais que a banda estava constantemente na mídia desde o lançamento do primeiro disco quatro anos antes. Mesmo assim, o Ultraje ainda causava polêmica, é deste disco a música Filha da Puta. Filha da Puta, foi um teste da banda, afinal diziam que a censura tinha acabado, e realmente, não houve censura oficial, mas algumas rádios, já que não era comum o uso de palavrões na música nacional, resolveram editar a canção, colocando um sonoro piii no lugar do palavrão. Aos poucos viram que o público queria mesmo ouvir a versão original e a censurada foi esquecida. Os programas de TV também se recusavam a tocar a versão original, e isso acabou prejudicando a divulgação do disco, que tinha outras músicas com o uso de palavras não usuais e temas mais picantes. Por isso, Chiclete, e Volta Comigo, acabaram não tocando
Em 90 a banda volta às suas origens com um álbum de covers, o Por Quê Ultraje a Rigor, com musicas dos Beatles, Roberto e Erasmo, Carlos Imperial entre outros. Logo depois deste lançamento, mais uma baixa. O baixista Mauricio se casa com uma americana e se muda para Miami, onde mora até hoje. Entra Andria Busic, provisoriamente, já que um mês depois é substituído pelo Oswaldo, e mais uma vez saem em turnê. Foi quando Roger viu que o Ultraje não era mais o mesmo. Leôspa, já casado, não estava mais a fim das incontáveis viagens e não tinha a mesma disposição para os ensaios. Sergio Serra, queria sair para montar sua própria banda, e o Oswaldo, ultimo a entrar, preferia trabalhar em seu estúdio profissional. Numa conversa com o Leôspa, Roger vê que é hora de procurar novos músicos para continuarem com o Ultraje, que agora passa a ser Roger e mais três.
Roger sai então a procura destes novos músicos em bares e shows de bandas novas. Nestes ´passeios´, encontra o baterista Flávio Suete, que tocava na banda Nem e em uma que fazia covers de Frank Zappa. Flávio indica o baixista Serginho Petroni. Com a base da banda reestruturada, os três passam a fazer testes para a escolha de mais um guitarrista. Encontram Heraldo Paarmann, através de um anuncio que colocaram no mural da Brasil 2000 FM de São Paulo. Os ensaios continuam e em 92 são surpreedidos com o lançamento de O Mundo Encantado do Ultraje a Rigor, coletânea que foi lançada contra a vontade do grupo. O Encantado do nome é uma ironia em relação aos primeiros anos da banda, e as dificuldades com a gravadora. Este disco conta com duas faixas inéditas, já com a formação nova.
No mesmo ano, e revoltados com o tratamento dado pela WEA à banda, gravam, de forma totalmente independente o single, Ah, se eu fosse homem. E, ainda de forma informal, os próprios membros da banda começam a distribuir a fita com a música para as rádios. Em 93, já com relações estremecidas com a gravadora, lançam o sexto trabalho, quarto de inéditas, O´!. disco, um tanto fora do estilo do Ultraje, foi gravado às pressas e com baixíssimo orçamento, ordens da gravadora que ignorou o trabalho depois do lançamento. Este disco ainda conseguiu um certo sucesso, com vídeo, (Acontece toda vez que eu fico) Apaixonado, rolando na MTV.
Em 95, mais uma vez a banda é pega desprevenida, pois a gravadora lança uma nova coletânea, no ano seguinte mais surpresas. A gravadora resolve relançar os dois primeiros discos do Ultraje com o nome de O Melhor do Ultraje a Rigor2 é demais!, sem os bônus que acompanharam os originais. Em 97, novamente sem avisar a banda, lançam outra coletânea, Pop Brasil, e no ano seguinte, relançam o terceiro e quarto LP, na mesma série de O Melhor do Ultraje a Rigor.
Seis anos depois do ultimo trabalho com inéditas, e com baixista novo, já que Serginho havia deixado a banda a pouco tempo, sendo substituído por Mingau, o Ultraje assina com a DeckdiscAbril Music e lançam 18 anos sem tirar!, disco ao vivo com algumas inéditas gravadas em estúdio. O disco vendeu mais de 100 mil cópias o que mostrou que ainda havia público para o Ultraje. Mas novamente a formação da banda muda, antes das gravações do mais novo trabalho do grupo, Os Invisíveis, Flavio e Heraldo deixam a banda por divergências musicais com Roger e Mingau. Para o lugar dos dois que saíram são chamados Sergio Serra, que já tinha tocado com o Ultraje nos tempos do álbum Sexo, além de convidarem o baterista Bacalhau que havia deixado o Rumbora.
Os Invisíveis é lançado em setembro e tem seu primeiro single, Domingo eu Vou pra Praia, tocando por todo o país. Pena que as rádios acabam deixando de lado o trabalho, já que o jabá rola solto. O disco tem vendagem muito abaixo do esperado.
Em 2005 o Ultraje grava um acústico. A banda sai em turnê pelo Sul e Sudeste, evitando cidades mais distantes devido ao medo de Roger em viajar de avião.
Por Valdir Antonelli




