Monday Sep 15

Smiths

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divulgaçãoMas nós não podemos ser, desculpem o trocadilho, simplistas a este ponto. Os Smiths influenciaram uma geração de novas bandas inglesas, a guitarra de Johnny Marr é imitada por deus e o mundo, as letras de Morrisey são consideradas das mais inspiradas do pop até hoje. Se é assim, porque a banda acabou? Simples, Marr queria o sucesso, Morrisey queria continuar independente. Quem é o errado? Não dá pra saber, sabemos apenas que o mundo da música perdeu uma de suas maiores parcerias, e que nunca verá junta novamente. Morrisey em sua passagem pelo Brasil foi questionado sobre uma possível volta dos Smiths. Nem em um milhão de anos, ele disse.

Desde o início havia, entre Morrisey e Marr, alguns conflitos que acabariam por detonar o futuro da banda. Morrisey sempre foi mais introspectivo, avesso ao sucesso mas que ao mesmo tempo adorava ser pop. Já Jonny Marr encarnava o rebelde, o roqueiro, aquele que não estava sossegado com o que a banda já havia conseguido. Queria sempre mais. Dou outro lado, um tanto apagados, estavam Andy Rourke e Mike Joyce, que mesmo fazendo parte da banda desde o inicio, nunca tiveram os devidos créditos, já que todas as músicas eram assinadas apenas por Morrisey e Marr. Se formos ver a banda durou até que muito tempo, pra alegria dos fãs.

Manchester – 1982-1985

Na chuvosa cidade, Steven Patrick Morrisey era apenas um poeta e presidente do fã clube local dos New York Dolls quando conheceu Johnny Marr, que já havia tocado em algumas bandas da cidade. O encontro entre os dois, que já se conheciam de nome, foi arranjado por Steve Pomfret, que levou Marr até a casa de Morrisey. Pomfret tinha certeza que os dois se entenderiam, o que aconteceu de forma espantosa. Pomfret que tinha idéia de se unir à dupla, logo se tocou que não tinha talento suficiente pra isso e caiu fora. Os dois tiveram a idéia de compor músicas para oferecer a outros artistas, mas logo desistiram disso e resolveram que o caminho a seguir seria o de montar uma nova banda. O passo seguinte era dar o nome para o grupo. Morrisey escreveu em um pedaço de papel alguns nomes, Smiths, Smithdom e Smiths Family. Marr escolheu Smiths que por ser um dos sobrenomes mais comuns da língua inglesa, se encaixava como uma luva para a proposta do grupo, que era fazer canções comuns, falando de pessoas comuns. Existem outras histórias sobre o nome, uma delas fala em homenagear Patty Smith, cantora da qual Morrisey é fã.

Nome escolhido passaram a fazer alguns testes para bateristas e o escolhido foi Mike Joyce que havia abandonado sua antiga banda depois de ouvir uma gravação demo dos Smiths, ainda apenas com Morrisey e Marr. Joyce foi escolhido depois de tocar What Difference Does It Makes, dizem que sob efeito de cogumelos alucinógenos. Já Andy Rourke quase não é aceito, pois Morrisey queria colocar outro baixista na banda, um conhecido dele, chamado Dale. Marr fez pressão, pois já tinha tocado com Rourke em outra banda e conhecia o talento do baixista. No fim das contas Morrisey foi convencido e Andy Rourke foi o ultimo a ser escalado para a banda. Com a formação completa a banda fez seu primeiro show em 4 de outubro de 1982.

No início do ano seguinte com uma fita demo com Hand in Glove, eles começaram a bater na porta das gravadoras britânicas, inclusive a EMI inglesa que rejeitou o trabalho. No fim foram contratados pela Rough Trade, gravadora novata que tinha iniciado seus trabalhos como uma importadora de discos. Antes disso os Smiths gravaram uma BBC Sessions, para o programa de John Peel. A banda, no ano de 83 grava mais dois singles, já pela Rough Trade. This Charming Man, o terceiro lançamento da banda, se tornou um sucesso no final deste ano, foi um estrondoso sucesso, se tornando o single mais vendido da então pequena gravadora.

Apesar disso os Smiths só vieram a lançar seu primeiro disco em fevereiro de 84, o disco chamado apenas Smiths, trazia Reel Around The Fountain, This Charming Man, Hand In Glove, What Difference Does It Make? e outras. Todas clássicas hoje. Mas na época o disco não vendeu bem e a banda quase se desfez. Logo depois do lançamento deste primeiro disco, eles gravaram mais um single, agora com Heaven Knows I´m Miserable Now no lado A e Suffer Little Children no B, e foi justamente este lado B que fez a mídia dar atenção à banda novamente. Graças a este novo gás saem em uma mini-turnê européia e mais um single, com William It Was Really Nothing e a clássica How Soon is Now no lado B. O grupo passa a ser considerado uma das sensações inglesas e também um dos mais promissores do novo cenário musical e conseguem cacife para bancar mais um disco em menos de um ano. Ainda em 84 lançam a compilação Hatful of Hallow. Este trabalho compilava as gravações que a banda fez para a BBC.

Com apenas estes dois lançamentos e vários singles, as letras de Morrisey começaram a causar furor entre a pudica sociedade britânica, chegaram a dizer que eles incentivavam o abuso de crianças e assassinatos, nada mais ridículo, só que isso rendeu aos Smiths mais e mais propaganda e com isso as vendas também aumentavam.

No ano seguinte, 85, lançam Meat Is Murder, a música titulo é uma ode ao vegetarianismo, que Morrisey seguia piamente... Neste disco The Headmaster Ritual, Barbarism Begins At Home e How Soon is Now? são os destaques. Meat is Murder marca também a primeira baixa nos Smiths, Andy Rourke resolve abandonar a banda, em seu lugar, assume Craig Gannon como novo guitarrista. Com a nova formação lançam Bigmouth Strikes Again que viria a ser o carro chefe da sua obra prima, The Queen is Dead.

The Queen is Dead

Esta é sem duvida a obra prima dos Smiths, lançado em 1986, chegava às paradas internacionais com o hit The Boy With the Torn in His Side, que as más línguas brasileiras cismavam em traduzir como o garoto que tinha a tora atrás. Esta música marcou também a gravação do primeiro vídeo clipe da banda, já que anteriormente apenas versões ao vivo de suas músicas haviam sido gravadas. Mas o disco não foi trouxe apenas flores, antes mesmo do lançamento do álbum, o baixista Andy Rourke deixa a banda sem maiores explicações e Craig Gannon entra como segundo guitarrista. Já com esta formação é que lançam o primeiro single do álbum, Bigmouth Strikes Again. O engraçado é que Gannon não aparece nos créditos do The Queen is Dead.

Independente disso este disco mostra uma reviravolta na carreira dos Smiths, o sucesso começa a bater na porta de Morrissey e Marr e as criticas a realeza, ao governo de Margareth Tatcher e imprensa, que apareciam de forma sutil nos trabalhos anteriores, vem com força total. A faixa titulo é uma afronta ao modo de vida da Rainha e seus filhos. Bigmouth Strikes Again, ou na tradução livre o bocudo ataca novamente, indica o que a banda achava dos tablóides sensacionalistas britânicos. Ainda neste mesmo ano de 86 os shows e qualquer plano que eles tem para o futuro tem que ser colocados de lado, Johnny Marr sofre um grave acidente de carro, e eles são obrigados a dar um tempo.

Mesmo assim lançam, graças a gravações feitas antes do acidente de Marr, mais um single, Ask, e gravam material para o primeiro disco ao vivo da carreira, Rank que seria lançado alguns anos depois. Gannon logo depois deste show é demitido da banda por problemas com heroína e Rourke retornaria logo depois.

No ano seguinte uma nova compilação é lançada em duas versões, a européia The World Won´t Listen como um álbum simples e a americana Louder Than Bombs como um duplo, englobando diversos singles e lados b´s lançados pela banda desde seu nascimento.

O Começo do Fim

Marr já recuperado do acidente volta à banda, e os Smiths também voltam a fazer shows pela Inglaterra e a gravar novo disco, com isso as diferenças entre ele e Morrissey começaram a ficar cada vez mais visíveis. O cantor mais tradicionalista passou a bater de frente com as idéias inovadoras do guitarrista e isso é visto no novo disco Strangeways Here We Comes, Marr queria transformar os Smiths numa verdadeira banda de rock, ao contrário do que Morrissey queria para o grupo. Aliado a isto, outros problemas levaram ao seu fim. Eles estavam com um processo contra a Rough Trade, sua gravadora e este seria o último disco por ela, estavam também sem empresário, Morrissey tinha problemas graves com o fato de ter se tornado uma estrela, e também haviam problemas monetários, já que a divisão dos direitos autorais era feita de uma maneira não muito justa. Fora a velha richa com a imprensa inglesa que vivia pegando no pé dos Smiths

A gota d´agua para a separação foi uma matéria falsa feita pelo New Musical Express com o título Smiths to Split, Smiths prestes a acabar. Marr que não estava na Inglaterra quando o tablóide foi para as bancas achou que a matéria era uma provocação feita por morrissey e resolveu sair da banda. Os demais, Morrissey, Rourke e Joyce tentaram continuar juntos, mas viram que sem a guitarra inspirada de Marr o nome Smiths tinha perdido totalmente o sentido. Era o fim da banda em seu auge.

Mesmo depois do fim, eles continuariam a faturar em cima do nome Smiths, foram lançados um álbum ao vivo, Rank e mais tres coletâneas, além do relançamento dos trabalhos anteriores.

Como eu havia dito, um dos problemas que contribuíram para o fim da banda, foi a divisão dos direitos autorais. Todas as músicas eram assinadas como sendo apenas da dupla Morrissey e Marr, deixando para Andy Rourke e Mike Joyce apenas 10% para cada um do que foi arrecadado. Os outros 80% ficavam com a dupla compositora. O baixista e o baterista, então, entraram com um processo contra as demais e em 88 o resultado foi favorável a Rourke e Joyce. Morrissey e Marr entraram com recurso, dizendo que os músicos sempre souberam qual seria a porcentagem que caberia a eles, mas em 98 a sentença final deu ganho de causa aos reclamantes, e a dupla chefe dos Smiths teve que acatar a decisão.

Um Novo Inicio

Ninguém esperava que Morrissey e Marr conseguiriam algum destaque na música sem o nome Smiths. Todos, fãs, críticos e jornalistas, viram que estavam errados quando é lançado o primeiro disco solo de Morrissey. Viva Hate, de 88, foi um sucesso, graças também aos hits Suedhead e Everyday is Like Sunday, que traziam aos fãs boas lembranças do seu ex-grupo. No mesmo ano, continuando com a tradição smithsiana, é lançado mais um single, agora de Ouija Board, Ouija Board e novamente as intrigas criadas pelos jornalistas começaram a aparecer nos tablóides sensacionalistas britânicos. Tentando ter um pouco de paz, Morrissey se afasta totalmente da mídia para se dedicar exclusivamente ao próximo disco, mas o que vemos na seqüência foram vários singles sendo lançados, entre eles November Spawned A Monster, recorde de vendas e que serviu para confirmar que a carreira solo ia de vento em popa.

Somente dois anos depois é lançado Bona Drag, com algumas regravações, alguns singles e poucas músicas inéditas, entre elas, Last Of The Famous International Playboy. No ano seguinte, 91, sai Kill Uncle sem muita divulgação o disco acabou ficando um tanto de lado pelas rádios. Em 92 Morrissey volta ao topo, agora com Your Arsenal, disco aclamado pela critica e que chegou a concorrer ao Grammy de álbum do ano, além de ser o disco que mais vendeu na carreira solo do cantor. Mas o ano também é marcado por problemas, dois amigos íntimos de Morrissey morrem e se isso não bastasse é lançado o livro Morrissey and Marr - The Severed Alliance que afirma que os Smiths acabaram devido ao ego e a vaidade de Morrissey.

Passa-se o tempo e é lançado mais um disco, o ultimo pela EMI, gravadora que acolheu o cantor depois do fim dos Smiths. Vauxhall and I, de 94, é um sucesso e o single The More You Ignore Me, the Closer I Get bate recorde de vendas, mas não chega ao patamar do disco anterior, Your Funeral. No ano seguinte sai o primeiro trabalho pela Island, na verdade dois discos Southpaw Grammar e World Of Morrissey, os dois mesclando regravações com canções novas, e nenhum serviu pra grande coisa, além de aumentar sua discografia...

Só em 97 com Maladjusted é que todo o lirismo do ex-Smiths volta a tona. A belíssima Alma Matters, a faixa título e Satan Reject my Soul, caberiam em qualquer disco dos Smiths e não fariam feio. Mas novamente, é lançado outro álbum um tanto quanto sem inspiração, My Early Burglary Years é o último trabalho inédito de Morrissey que deve voltar a gravar somente em 2003.

Em 2000 Morrissey faz a sua primeira turnê pela América do Sul, com shows em várias capitais brasileiras, sempre com casa cheia.

Mas pra quem acha que Marr passou todo este tempo parado, outro engano, o guitarrista trabalhou com David Byrne, Brian Ferry, Billy Bragg, tocou durante uma turnê com os Pretenders de Chrissie Hynde e gravou dois discos com Matt Johnson, a mente por tras do The The, os discos são Mind Bomb e Dusk, esta parceria durou até 93, quando Marr resolveu partir para outros projetos.

Mesmo durante o tempo com Johnson, Marr manteve um outro projeto, este com Bernard Sumner do New Ordem. O Eletronic, que lançou três discos, o primeiro em 91, com o mesmo nome da banda, o segundo Raise The Pressure apenas em 96 e um terceiro disco, Twisted Tenderness-Deluxe em 2001. O Eletronic não acabou, é apenas um projeto paralelo dos dois artistas, tanto que Marr esta com uma nova banda, chamada Healers, que promete gravar um disco no ano que vem.

E os outros membros dos Smiths, você deve estar perguntando, pois bem... Mike Joyce logo depois que os Smiths terminaram, foi convidado para tocar, junto com Andy Rourke, na turnê que Sinnead O´Connor estava fazendo. Entre 88 e 89 voltou a tocar com Morrissey nos singles The Last Of The Famous International Playboys e Interesting Drug. Logo depois, em 90 saiu em turnê mundial com uma das bandas que era fã, os Buzzcocks, terminada as apresentações, tocou com Julian Cope e em 93 foi convidado para tocar com o Public Image Limited, de John Lydon que sairia para shows nos Estados Unidos e Inglaterra. Nos anos seguintes colaborou, sempre como convidado, com a cantora soul P.P. Arnold, com Pete Wylie. Foi convidado também para tocar com o músico Aziz novamente com Andy Rourke e em 2001 montou junto com Rourke e Paul Bonehead Athurs do Oasis a banda Moondog One.

E voltando a falar em Morrissey, o cantor lançou em 2004, o aclamado disco You are the Quarry, considerado o melhor disco da carreira do cantor. No mesmo ano, Morrissey se apresenta pela segunda vez no Brasil - a primeira foi em 2000 -, no TIM Festival.

Em 2005 sai Live at the Earls Count, disco ao vivo trazendo várias versões de canções dos Smiths, sepultando de vez a ´bronca´ que Morrissey tinha de sua antiga banda.

No começo de 2006 um novo álbum, Ringleader of the Tormentoes, que tenta superar o sucesso de You are the Quarry.

Por Valdir Antonelli

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