Saturday Aug 30

RPM

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Foi assim que Paulo recebeu o convite para integrar o AURA, uma banda de jazz-rock que ainda tinha Paulinho Valenza na bateria. Podemos dizer que o Aura serviu como experimento e forma de trabalho criativo. Em 1983, Paulo abandonou o curso de Jornalismo que fazia na Escola de Comunicação e Artes - USP e foi para Londres, onde passou 6 meses. De Londres Paulo fazia matérias como correspondente para a revista Som Três e reuniu elementos para uma nova banda que pensava formar com Schiavon.

De volta ao Brasil e com um projeto já bem definido de banda que idealizou com Schiavon por cartas enquanto esteve fora, os dois começaram a compor. As primeiras foram Olhar 43, A Cruz e a Espada e Revoluções por Minuto. Gravaram uma fita demo destas músicas com uma bateria eletrônica e encaminharam à gravadora CBS que considerou-as ambíguas e difíceis de tocar nas rádios.

O nome 45 RPM (45 rotações por minuto) foi sugerido inicialmente em uma lista de nomes feita por uma amiga. Schiavon e Paulo gostaram do nome, mas tiraram o 45 e mudaram o Rotações por Revoluções.

Entram Deluqui e Júnior

Na verdade o som de um baixo, teclados e bateria programada deixava o RPM com um som frio demais. Faltava a guitarra.

Fernando Deluqui, um guitarrista de estilo punk que vinha da banda Ignoze fazia participações em shows pan-culturais de May East, onde também participou da gravação do disco.

Schiavon havia sido convidado para uma participação em um dos show de May East onde pôde mostrar a Deluqui as três músicas da fita demo. Em seguida fizeram alguns ensaios e o som deu certo.

Assim, Deluqui entrou pro RPM como o guitarrista. E Júnior como baterista, deixando de lado a bateria eletrônica.

Gravações

 

Gravaram uma segunda fita demo com Deluqui e Júnior. O baterista logo saiu, mas pôde participar de alguns shows em danceterias de São Paulo, como a Tífon, Raio Laser, Clash e a Madame Satã.

E desta vez a gravadoras CBS (a mesma que havia recusado inicialmente) e Odeon se interessaram pelos rapazes. Preferiram assinar contrato com a CBS que mostrava melhores condições. Gravaram Louras Geladas como um teste e a música se tornou um hit nacional que entrou nas rádios fm´s através do disco Rock Wave.

Gravaram um compacto com Louras Geladas e Revoluções por Minuto que acabou sendo censurada pelos versos Agora a China toma coca-cola e Aqui na esquina cheiram cola com alegação de apologia a drogas. Mas tudo acabou bem e a censura liberou. O compacto foi um sucesso, o que permitiu a gravação do primeiro Long Player da banda.

Mas sem baterista, não dava pra gravar. Schiavon lembrou-se então de Paulo Pagni, que havia conhecido quatro anos antes, em uma improvisada jam-session. P.A. era um músico experiente que havia passado algum tempo nos EUA e que de volta ao Brasil montara um estúdio de ensaios, o Planeta Gullis. Em janeiro de 1985, P.A. entrou para o RPM como convidado, no meio da gravação do LP.

Em março de 1985, a banda voltou a fazer shows e foi em um destes shows, no Noite Carioca, que Ney Matogrosso se interessou pelos garotos que após uma conversa com Manoel Poladian resolveram que o Ney seria o diretor dos shows.

Em setembro de 1985, estreou o novo show no Teatro Bandeirantes, o que permitiu uma grande divulgação do RPM e assim o primeiro LP estourou 300 mil cópias com direito a um disco de ouro e outro de platina.

Paulo Ricardo gravou Agora eu Sei com a banda Zero. Foi um sucesso geral. Assim, perceberam que era o momento exato para a gravação de Rádio Pirata ao Vivo. Os shows para a gravação aconteceram em 26 e 27 de maio de 1986 no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo. Resultado = 500 mil cópias vendidas antes de chegar as lojas. Fato inédito no Brasil, a banda conseguiu um disco duplo de platina.

Graças a um repertório de pop-rock muito bem concatenado e a um show superproduzido como nunca antes havia rolado no Brasil, o quarteto gerou uma idolatria digna dos Beatles, com cenas de histeria explícitas a cada nova apresentação.

O disco Rádio Pirata ao Vivo, o segundo da discografia da extinta banda paulistana, é o registro fiel de uma dessas performances ao vivo, e inclui boas releituras de músicas do disco de estréia, como Olhar 43 e Rádio Pirata, aliadas a faixas até então inéditas, como Alvorada Voraz e a instrumental Naja, além dos covers de dois nomes que os influenciaram muito, Flores Astrais do Secos & Molhados, e London London de Caetano Veloso.

O álbum vendeu mais de dois milhões de cópias e detonou a erRe Pê eMê - mania, além de ter sido um dos primeiros discos ao vivo a vender bem por aqui. A banda ganhou centenas de matérias em revistas de todo o Brasil.

Fim do RPM

Mesmo com todo o sucesso no Brasil e em países como França e Portugal, o RPM que até teve um Globo Repórter especial e havia se tornado albúm de figurinhas, passava por uma situação difícil.

A verdade é que já existia um clima tenso entre os integrantes. Paulo Ricardo se viu alçado quando aos 24 anos, era considerado o maior símbolo sexual brasileiro. Assim, Paulo começou a ser muito requisitado em entrevistas o que deixava a impressão de que o RPM era a banda de apoio de Paulo Ricardo. A gravadora CBS precisou intervir no superestrelato do baixista e cantor. Mas nem mesmo assim, os jornais e revistas deram trégua. Já que Paulo com seu carisma, beleza, inteligência e talento se sobressaia naturalmente. Algo muito natural para as bandas da época como o Blitz de Evandro Mesquita, o Barão Vermelho de Cazuza e até mesmo os Secos & Molhados de Ney Matogrosso em 1973. Todas essas bandas passaram pelo mesmo problema o que já dava pra imaginar o que aconteceria em seguir.

Especulações apontaram que o fim da banda se deu após o grande investimento na RPM Discos, uma gravadora com selo próprio que não deu certo e acabou inundando os integrantes em dívidas e brigas. A única banda que a RPM Discos lançou foi o Cabine C, do ex-titã Ciro Pessoa, com o LP Fósforos de Oxford, gravado em excelentes estúdios e com capa e encartes luxuosos.

O fim da banda se deu em agosto de 1987. Após o fechamento da RPM Discos. Assim, seus integrantes tomaram outros rumos.

A Volta

Em 2001, a banda se reune para tratar de assuntos comerciais e surge a idéia da gravação de um disco acustico. A MTV e a Universal Music resolvem apostar no projeto e em 2002 é lançado o disco RPM 2002, com a gravação de uma apresentação ao vivo da banda com trechos acústicos e elétricos. Algumas novas músicas são gravadas para a ocasião e banda volta a excursionar junta.

Em 2004, durante as gravações do primeiro disco com músicas inéditas depois de vários anos, brigas internas implodem novamente a banda. Fernando Deluqui e Luiz Schiavon acusam Paulo Ricardo de querer se tornar dono da marca RPM, coisa que realmente acontece, já que Paulo registrou a marca. Os dois criam a banda LS&D e Paulo Ricardo, junto com P.A. cria o PR.5.

Fonte: Site TataRPM com revisão e atualização de Valdir Antonelli

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