Friday Aug 01

Nau

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Ja havia feito um power trio com Beto Birguer e ele ja havia tocado com a Vange Leonel que, diga-se de passagem, era uma gata e na época já cantava bem, além de ser bem maluquinha. Nos reunimos e mãos à obra. Nossa primeira gravacao foi uma música com letra de Fernando Pessoa (está no disco Nao Sao Paulo 2, lançado pela Baratos Afins). Montamos nosso repertório e em 6 meses comecamos a atacar em SP... Tocamos no Rose Bom Bom , Madame Satã , Any 44 , Teatro Lira Paulistana, etc, a energia do NAU teve uma super aceitação pela galera....A rádio 89 FM que era a rádio de rock de SP, pediu a nossa demo no ar, durante a programação.

Gravamos uma fita que o Skowa produziu num gravador cassete de 4 canais. Então passamos a tocar nossa demo na 89FM e na Fluminense FM (de Niterói) e em pouco tempo estavamos na Folha de São Paulo sendo anunciados como uma banda que valia apena ser conhecida, pesada e poética A gravadora independente Baratos Afins, o Luiz Calanca,ou será a mesma coisa, nos convidou para gravarmos duas músicas no segundo disco do projeto NÃO SAO PAULO. Gravamos Sofro e Madame Oraculo.

Em 1986 o nosso batera, Mauro Sanches, pegou epatite e foi temporariamente substituido pelo Danny, que era da banda Metrô e foi quem nos apresentou ao Maluly, produtor do RPM, do próprio Metro e surfista calhorda. Foi o cara certo, na hora certa, um super produtor. Gravamos baixo guitarra e bateria ao vivo, com altos amps e instrumentos, me lembro que colocamos órgão em algumas músicas, só que era na verdade um hammond, com 2 caixas leslee, duas toneladas carregadas pelo caminhao de mudanças...risos...Esse disco tem histórias hílarias, me lembro que liguei simultaneamente com um Jazz Chorus stereo, um fender antigo que aluguei do bluseiro André Cristovan, um marshall que ficava no talo em uma outra sala e mesmo assim nao prescisava de retorno (risos) e meu velho e bom politone numa caixa de 15, um grave lindo.Gravamos todos e só equalizamos mixando os amps gravados, quer dizer, todos. Ao invés de irmos no equalizador quando se queria grave, aumentavamos o canal do politone, quando se queria mais definicao no timbre, aumentavamos o fender, e chorus, o JC.

Nosso disco saiu e fomos lança no Rio. Sabem quem estava lá? CAZUZA, Barão Vermelho e Ezequiel Neves. Piraram. Alias Cazuza sempre foi nosso fã número um, pelo menos para nós (risos), chegando a ir em um dos nossos shows no rio em cadeira de rodas. Fomos três vezes tocar no Rio e nas três estava ele lá.

Depois chegou o Plano Cruzado, o Brasil entrou na merda de novo e as gravadoras não queriam mais rock e veio a onda sertaneja. Que merda! A Revista Bizz quebrou, a CBS quebrou e nos continuamos a ver navios. Veio Collor e ai ja são outras histórias.

Nessa epoca havia duas categorias distintas de roqueiros....Os que ja haviam alcançaado a grana e o sucesso, caras como o RPM, Ultraje, Lobão, Paralamas, Titãs, Barão Vermelho (ainda com o Cazuza). E os que vinham com propostas novas como Gueto, Akira S, Mercenarias, Violeta de Outono e Nau. O Nau, o Gueto e o Violeta de Outono foram parar cada um numa gravadora major, mas deram o azar de chegarem lá exatamente no momento em que o rock nacional deixava de ser prioridade.

O Nau chegou a gravar material para o segundo disco, com algumas faixas divulgadas na 89 FM*, durante o programa Dubalacobaco, que na época ia ao ar das seis às sete da noite com o Everson e o Zé Luiz, e ainda havia esperança que alguma gravadora topasse lançar o disco, coisa que não aconteceu. A banda logo depois acabou e cada um foi para o seu lado com a Vange partindo em carreira solo que durou três discos.

Texto por Zique, guitarrista da banda Nau, com complementos de Valdir Antonelli.

* Nota do Editor: Ótimas composições, vindo no mesmo embalo do disco de estréia, sorte de quem, como eu, teve a chance de ouvi-las pelo menos uma vez no rádio.

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