Wednesday Oct 22

Engenheiros do Hawaii

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Humberto Gessinger - foto: Valdir Antonelli

Na mesma época do Rock in Rio, os Engenheiros do Hawaii estavam fazendo diversos shows pelo interior do Rio Grande do Sul, divulgando seu trabalho em diversas cidades e rádios locais até que o som da banda chegou à gravadora BMG. A gravadora estava lançando uma coletânea intitulada Rock Grande do Sul. Um festival que a gravadora estava produzindo ia servir de base para a coletânea, que viria apenas com bandas gaúchas. Os Engenheiros do Hawaii participaram do evento, mas não foram escolhidos pela organização. No entanto uma das bandas que entrariam no cd desistiu e eles entraram no disco com as músicas Toda Forma de Poder e Sopa de Letrinhas.


Por ironia do destino, Toda Forma de Poder estourou nos pampas. O resultado deu o pontapé inicial para que a BMG assinasse com o grupo e lançasse o clássico Longe Demais das Capitais (1986). A faixa “Toda Forma de Poder” virou tema de uma novela da Globo, seguida por Sopa de Letrinhas, Crônica e Longe Demais das Capitais que estouraram em todas as rádios do país. No entanto, apesar do grande sucesso, antes do 2º álbum, Marcelo Pitz deixou a banda porque não conciliou a vida de recém-casado com a de músico.

Humberto Gessinger e Carlos Maltz continuaram com os Engenheiros do Hawaii, onde o cantor assumiu o posto de baixista. A guitarra foi ocupada por Augusto Licks, apresentado ao conjunto por Nei Lisboa (que havia participado da faixa Longe Demais das Capitais). Com nova formação, o vocalista aprimorou suas composições, que iam de Jean Paul Sartre a Albert Camus, o que rendeu muitas e muitas críticas. Em 1987 é lançado o disco A Revolta dos Dândis, que foi massacrado pela crítica. Em conseqüência, a imprensa especializada passou a chamar os seus integrantes de fascistas e elitistas, ocasião em que os Engenheiros do Hawaii passaram a ser vistos como os Ets do rock nacional. Entretanto, o público não deu bola e fez de Infinita Highway, Terra de Gigantes e A Revolta dos Dândis” novos clássicos do conjunto.


Ouça o que Eu Digo, Não Ouça Ninguém chegou às lojas no ano de 1988. O disco trazia algumas novidades, como teclados em algumas músicas e a primeira composição em parceria de Gessinger e Licks, em Variações Sobre Um Mesmo Tema. Novamente a crítica não perdoa e novamente acusa Humberto de utilizar muitos clichês em suas músicas. Pra variar o público não deu a mínima e aprovaram os hits Somos Quem Podemos Ser, A Verdade a Ver Navios, Tribos e Tribunais e a faixa-título Ouça o Que Eu Digo, Não Ouça a Ninguém. Nesta época, fugindo do chavão de representantes do rock gaúcho, os componentes dos Engenheiros do Hawaii mudaram-se para o Rio de Janeiro, cidade que o Humberto definia como um resumo do Brasil.

Em 1989, foram convidados para tocar em Moscou. No mesmo ano é lançado o quarto álbum, Alívio Imediato. Trata-se de um disco ao vivo, gravado no Canecão, no Rio de JaneiroRJ. As novidades ficaram por conta das duas faixas inéditas, gravadas em estúdio: “Alívio Imediato” e Nau a Deriva. Ambas, manteram o nome da banda em alta.

Um dos trabalhos mais bem sucedidos dos Engenheiros do Hawaii, O Papa é Pop (1990), trouxe uma canção que, pela primeira vez, não foi composta por nenhum dos três e sim pelos Incríveis. A faixa, Era Um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones. levou a banda ao topo das paradas brasileiras e o grupo chegou a ser considerado pelo público como a melhor banda do rock nacional. No embalo, O Papa é Pop, Exército de Um Homem Só e Pra Ser Sincero viraram hinos. Foi nessa mesmo época que as rádios descobririam Refrão de Bolero, por causa de uma música que não saiu em LP, mas sim no CD chamada Prefeita Simetria que possuía a mesma melodia com letra diferente. Gravado com bateria eletrônica, baixo e guitarra com sons totalmente impecáveis, o disco rendeu 350 mil cópias e fez a crítica arrancar os cabelos, já que continuavam a achar o grupo uma droga. O interessante é que o trabalho foi o batismo da grupo como produtor dos seus próprios discos.

Diante de tanto sucesso os Engenheiros do Hawaii foram convidados para participarem do Rock In Rio II (1991). O conjunto, ao lado de bandas consagradas como Guns n´Roses, Sepultura e até mesmo a brasileira Capital Inicial, foi responsável de um dos momentos mais altos do evento, levando o público ao delírio.

Em outubro do mesmo ano a banda chega ao sexto trabalho da carreira Várias Variáveis. O disco foi considerado como um dos melhores discos dos Engenheiros do Hawaii até então. A faixa “Herdeiro de Pampa Pobre” é o carro-chefe do lançamento. Em fevereiro de 1992, nasce Clara, filha de Humberto e Adriane, com que o vocalista era casado deste os tempos de faculdade. O álbum Várias Variáveis, cuja capa era verde, marcou o final de uma trilogia, que levava as três cores da bandeira do Rio Grande do Sul, com o amarelo em Revolta dos Dândis e o vermelho em Ouça o Que Eu Digo, Não Ouça Ninguém (1988). O destaque deste disco ficou para as faixas Muros e Grades, Ando Só e a Sampa no Walkman, uma homenagem a Caetano Veloso. O Sonho é Popular referindo-se a política dos anos 60, a fantástica Sala Vip (onde Humberto ataca sem dó nem piedade, porém com toda classe, a crítica impertinente) e a Piano Bar (que rendeu discussões e mais discussões sobre quem seria a tal guria para a qual o cantor compôs a canção).

Gessinger Licks & Maltz ou simplesmente GLM (1992), disco seguinte, vem com uma sonoridade diferentes, remetendo o ouvinte ao rock progressivo inglês. As faixas ¿Até Quando Você Vai Ficar?, Parabólica (composta para sua própria filha) e Ninguém = Ninguém (carro-chefe do álbum fala muito bem da diversidade de pensamentos e atitudes que acercam o ser humano). No ano seguinte, a banda participou do Hollywood Rock, abrindo o show do Nirvana.

Filmes de Guerra, Canções de Amor (1993), gravado ao vivo na Sala Cecília Meirelles no Rio de Janeiro, semi-acusticamente, numa mistura de percussão, guitarra, piano e da Orquestra Sinfônica Brasileira. Com algumas músicas arranjadas pelo Wagner Tiso, o álbum não só agradou ao público de costume, como também chamou à atenção de quem nunca havia prestado atenção nas letras de Gessinger. Apesar de ser alvo da crítica mais uma vez, o disco levou os Engenheiros do Hawaii ao Japão e EUA. Dessa trunê, saiu o 1º home vídeo da banda, com o mesmo nome do trabalho, traz imagens dos shows, clipes históricos e comentários inéditos.

No final de 1993 Augusto Licks sai da banda, o que foi um choque para os fãs veteranos. Em conseqüência o grupo passou a ser alvo de vários boatos e especulações. De qualquer modo, os Engenheiros do Hawaii continuaram com a turnê. Para o posto de guitarrista foi chamado Ricardo Horn, amigo de infância de Gessinger e que trabalhava na linha do jazz e do blues. No meio da turnê, encontram Fernando Deluqui, ex-RPM, que se tornaria novo integrante dos Engenheiros do Hawaii. Paolo Casarin, outro amigo de Humberto, também entra na banda para tocar acordeom e teclados.

Com esta nova formação é lançado Simples de Coração (1995). Depois de muita confusão, um pouco de sumiço e dois anos sem gravar nada, o novo álbum traz duas guitarras e um acordeom, mantendo a estrutura da turnê anterior. A música O Castelo dos Destinos Cruzados, escolhida como primeiro single, de Carlos Maltz não emplacou nas paradas de sucesso. Como o grupo havia deixando de ser um trio, ficou mais fácil para Humberto compor e tocar e isso fica visível nos dois próximos singles extraídos do trabalho, A Promessa e A Perigo, dois sucessos que viraram clipes e concorreram num dos VMBs da MTV na categoria escolha da audiência.

Em 1997 Carlos Maltz saiu do grupo, apagando qualquer vestígio da formação original. Tal fato fez com que os antigos fãs perdessem a credibilidade sobre o futuro do grupo, pensando se os Engenheiros do Hawaii iriam continuar os mesmos de outrora. Nesta fase de turbulência ganham um quarto integrante, o tecladista Lucio Dorfman. Com esta formação é lançado Minuano, produzido por Nilo Romero. O material trouxe sucessos como A Montanha e Alucinação do Belchior, além da participação dos irmãos gaúchos Kleiton e Kledir, nos arranjos, com violinos.

A formação se manteve estável e chega ao mercado o álbum ¡Tchau Radar! (1999). O disco marcou um recomeço para a carreira dos Engenheiros do Hawaii, posto que ¡Tchau Radar!, Eu que Não Amo Você e Negro Amor (versão de Caetano Veloso para música de Bob Dylan) emplacaram. Resultado, a banda estava de volta ao topo, conseguindo, inclusive, os primeiros elogios da crítica, claro que bem sutis. O disco chama a atenção por trazer letras mais diretas e menos formalistas.

Em 2000 é lançado o álbum ao vivo 10.000 Destinos (nome de uma música do disco ¡Tchau Radar!). O material foi gravado no Palace em São PauloSP, nos dias 24 e 25 de março de 2000. A novidade é que o CD traz antigos sucessos em novos arranjos, tais como Ouça o Que eu Digo, Não Ouça Ninguém, Refrão de Bolero, Toda Forma de Poder (com a participação de Borghettinho), O Papa é Pop, Era Um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones e Piano Bar, entre outras.

Seguindo a linha do primeiro disco ao vivo, Alívio Imediato (1989), o disco traz também quatro faixas inéditas, gravadas em estúdio: Números, Novos Horizontes, Quando O Carnaval Chegar (de Chico Buarque) e Rádio Pirata (do RPM com a participação do Paulo Ricardo e que ganhou uma nova roupagem). Esta última virou carro-chefe do álbum 10.000 Destinos, sendo também o primeiro videoclipe a estrear na MTV e é considerada pelos fãs dos Engenheiros como a responsável pela volta do RPM.

A turnê 10.000 Destinos foi um sucesso e fez com que os Engenheiros do Hawaii tocassem praticamente pelo Brasil inteiro. No entanto, no final de 2000, os fãs têm outra grande surpresa: Saem Lúcio Dorfman, Adal Fonseca e Luciano Granja para dar continuidade a um projeto extra-Engenheiros, chamado Massa Crítica. Novamente, sobra para Gessinger a missão de reformular a banda, trazendo Paulinho Galvão, Gláucio Ayala e Bernardo, os quais acabam dando um cara nova à banda. Assim Humberto deixa o posto de baixista passando o ofício para Bernardo e volta a executar guitarras, como nos velhos tempos.

No início de 2001 é lançado o disco 10.001 Destinos. O material traz o mesmo CD 10.000 Destinos e um bônus track com mais sete músicas gravadas ao vivo com a nova formação. O som está mais pesado, conforme se pode perceber nas regravações, como em Freud Flintstone (do HG3) e Nunca Se Sabe.

Surfando Karmas e DNA (2002) é o primeiro trabalho da nova formação, tendo como destaque as faixas Nunca Mais (versão do Shaw Mullins), Nem Mais Um Dia, Pra ficar e 3ª do Plural, entre outras.

Em 2003 os Engenheiros do Hawaii mantém a formação do álbum anterior e lança o excelente Dançando no Campo Minado, o qual mostra uma banda entrosada e composições mais maduras de Humberto. Musicalmente se vê músicas mais diretas com guitarras mais pesadas, principalmente ao vivo. Camuflagem, Duas Noites No Deserto, Rota De Colisão, “Dançando em Campo Minado”, “Até o Fim” (que vira videoclipe na MTV) e “Na Veia” são os maiores destaques.

2004 marca o lançamento do disco Acústico MTV, trabalho que dividiu os fãs onde boa parte deles diz que a banda se rendeu ao dinheiro fácil da emissora gringa. O fato é que o acústico de Humberto Gessinger é um bom trabalho que apenas premia a trajetória da banda.

Agradecemos ao site Sua Turma por ter cedido o material. Complementos e revisão por Valdir Antonelli

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