Elvis Presley

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Elvis Presley - divulgaçãoPor outro lado, correríamos o risco de não termos Beatles, Beach Boys, Led Zepellin e sabe-se lá mais quem que teve o Rei como influência. Uma das hipóteses, seria que o rock and roll sobrevivesse em um gueto, assim como o Blues e o Jazz que têm um público restrito. Ou, em uma hipótese um milhão de vezes pior, não teríamos rock and roll e nenhum de seus segmentos. Só para vocês terem uma leve noção do que é ser Elvis Presley, ele teve apenas 430 discos lançados, claro que aqui entram várias compilações, mas também ficam de fora as várias feitas sem autorização e que encontramos a baciada nas mais diferentes lojas.A minha primeira visão de Elvis Presley foi na noite de 16 de agosto de 1977,  eu tinha apenas 8 anos de idade, estava na casa de uma vizinha que comemorava seu aniversário de 19. Foi uma verdadeira ducha de água fria na festinha, que mal tinha começado, quando a noticia foi dada no Jornal Nacional. Lágrimas no rosto dela, que era apaixonada pelo Rei. Eu, que não entendia o porquê de tanta comoção pela morte de um cara que estava do outro lado do mundo, gravei aquela imagem e depois de um tempo fui capaz de entender o que tinha acontecido com a música mundial. Mesmo para quem não era fã de Elvis a notícia deve ter caído como uma bomba, afinal era um ícone da música pop que deixava o mundo.

 


Elvis pode até não ser o melhor artista da história do rock, mas com certeza é o maior. Foi o único a conseguir arregimentar multidões de adolescentes por onde passava e um dos maiores astros do cinema americano. Independente da qualidade de seus filmes, é impossível que alguém em sã consciência não tenha assistido a algum e tido vontade de estar na pele dele. Claro que Elvis foi um astro construído para o estrelato, mas que também contou com a sorte quando foi descoberto por Sam Phillips enquanto gravava alguns discos. Elvis queria saber como sua voz ficava quando gravada em vinil, e aproveitou esta primeira gravação para presentear sua mãe. Antes de Phillips descobrir o cantor, Elvis ainda gravou outras músicas, sempre versões para clássicos da Country Music ou Blues. Finalmente, o dono da gravadora ouviu o trabalho e o chamou para alguns testes. That´s All Right Mama é então considerado o primeiro single oficial de Elvis Presley, que, na época, ainda era motorista de caminhão.

A história diz que Phillips ficou impressionado com a voz de Elvis,  comparando-o a um cantor negro e apostou nisso, tanto que os primeiros singles lançados não tinham uma foto do Rei, isso para que o produto fosse mais bem aceito pelo mercado. Na verdade, havia o temor de que se vissem a cara de um jovem branco cantando músicas de negros ofendesse à sociedade moralista americana e por tabela não chegasse aos negros que poderiam achar que estavam roubando sua música. Logo ele se transforma em sensação em Memphis, com um som que era mistura de blues e country e que originou o Rockabilly. Ainda nesse começo, as músicas não passavam de versões para clássicos, mas graças à postura de Elvis frente a um microfone, sua voz e ao ineditismo do ritmo, o cantor aos poucos se tornava muito grande para a cidade.

Com isso, atrai o interesse das grandes gravadoras e em particular do Coronel Tom Parker. Parker, vendo todo o potencial de Elvis e sabendo que Sam Phillips não poderia bancar este sucesso, costura um acordo entre a Sun Records (gravadora de Phillips) e a RCA, tornando-se, obviamente,  empresário do Rei. O passe de Elvis foi avaliado em apenas 35 mil dólares, uma fortuna para a época, mas muito pouco se analisarmos pelos dias de hoje, lembrando o quanto já faturaram em cima do nome Elvis Presley. Com isso, em 1955 Elvis passa a ser um contratado da RCA, uma das maiores gravadoras americanas na época.

E é aqui que a história do maior astro do rock mundial realmente começa. Na RCA, graças a influência de Parker, Elvis, aos poucos, vai abandonando as regravações e deixando de lado a força roqueira das primeiras músicas. À medida que o sucesso aumentava, suas canções iam se tornando cada vez mais pop e açucaradas. Mas para o público essa leve mudança não quis dizer nada. O primeiro single lançado pela RCA com Heartbreak Hotel foi direto para a televisão, mostrando aos Estados Unidos quem era o dono daquela voz. Não é preciso dizer que isso alçou o cantor ao estrelato. Seus singles seguintes continuaram na mesma balada, sendo que Houd Dod/Don´t Be Cruel se tornou o single mais vendido na história dos Estados Unidos até aquele momento. Só em 1956 a RCA botou na praça 2 discos de Elvis, que ainda não era responsável por nenhuma das letras.

Mas só a música era muito pouco para as ambições de Elvis, e principalmente de seu empresário, Cel Parker, e assim Love Me Tender, o filme, é gravado. Elvis passou a ganhar duas vezes, com os filmes e com os discos que estes filmes rendiam. E a balada passou a ser esta: para cada filme estrelado pelo Rei, um disco era lançado. No embalo de Elvis, outros cantores que acabavam participando dos filmes também faziam sucesso, como o THe Jordanaires, grupo que tinha uma grande influência da música gospel e que geralmente faziam os vocais de apoio para Elvis. Mas as más influências começam a dar a tônica às músicas. Dean Martin começa a mexer na forma que Elvis canta, deixando a interpretação exagerada, mas nada ainda que afetasse a qualidade das composições.

Em 1958, por força do tempo que Elvis serviu no exercito americano, os filmes feitos pelo cantor acabaram tendo uma nuance militar. Obviamente, Elvis poderia ter ficado de fora do serviço militar, mas a idéia de usar um ídolo popular que largava sua vida normal para servir seu país foi mais forte e claramente teve a ajuda do governo americano, já que Elvis tinha regalias que nenhum outro militar sequer poderia sonhar, como quando sua mãe ficou doente e o cantor ganhou uma semana para poder visitá-la. Claro que se o período que ele ficou na Alemanha fosse atrapalhar os lucros, principalmente os do Cel Parker, essa brincadeira militar nunca teria acontecido. Dois anos depois, em 60, Elvis volta a ser civil e sua popularidade é mais alta ainda. Pena que, pelo menos para os críticos musicais, a qualidade de suas músicas começa a decair. Os críticos alegam que Elvis começa a se repetir, a usar sempre a mesma fórmula em suas canções, dando mais atenção às baladas em detrimento do rock and roll. Mas o que Elvis queria era se tornar um ator respeitado, então sua carreira foi em direção à Hollywood, com isso as canções passaram a ficar em segundo plano. Tanto que, durante a década de 60, ele fez em média três filmes por ano. Todos com suas trilhas lançadas para aproveitar o sucesso dos filmes.

Ainda nos anos 60, sua criação musical ficou quase que totalmente restrita às trilhas dos filmes que estrelava, muitas músicas gravadas nessa época acabaram ficando nas gavetas da gravadora porque não se encaixavam em nenhuma trilha. Com o tempo, essas músicas acabaram entrando como bônus nos relançamentos feitos pela gravadora, tanto que até hoje se descobrem faixas não lançadas em nenhum disco. Muita coisa boa acaba ficando de fora, já que o critério era manter a fórmula antiga, para não correr o risco de perder fãs. O que vemos é um Elvis que confia totalmente nas idéias de Parker, maior responsável pela qualidade das canções e pelo excesso de filmes. Aos poucos, a credibilidade do Rei vai diminuindo à medida que a força de Parker aumenta.

O problema foi que, com sua dedicação quase que exclusiva ao cinema, Elvis simplesmente perdeu o bonde da história do rock and roll. Quase no final da década, seus filmes já não estavam atraindo as multidões de antes, e a venda dos discos estava decaindo perigosamente. Agora, os novos queridinhos eram os Beatles, que nunca negaram que Elvis era um ídolo, principalmente para John Lennon. Em 64 os Beatles superam Elvis em vendas nos Estados Unidos. Vendo isso ele resolve voltar a se dedicar à música. A primeira mudança, ainda que quase imperceptível, foi a gravação de Tomorrow Is a Long Time, de um tal de Bob Dylan. Coincidentemente ou não, 68 marca seu casamento com Priscilla,  o nascimento de sua única filha, Lisa Marie, e  a volta, ou quase, às suas raízes musicais. E graças a um especial que o cantor fez na NBC, e que já foi destaque a pouco tempo na TV Bandeirantes, Elvis teve a chance de realmente mostrar que é um ótimo músico e cantor.

Finalmente, em 69, Elvis grava seu primeiro disco em muitos anos, sem estar ligado a alguma trilha sonora. Elvis in Memphis demonstra que o cantor quer retomar sua antiga posição de estrela, mas sem se vender. O disco, assim como os singles lançados posteriormente, de Suspicious Minds e In the Ghetto, fazem o Rei voltar ao topo das paradas americanas, mesmo assim os críticos detonam seu trabalho, mas, mais por culpa das composições e arranjos do que pela voz e presença de Elvis Presley. Elvis também volta a se apresentar ao vivo em uma série de shows em Las Vegas e sai, pela primeira vez, do país para tocar no Hawaii. Dizem que ele nunca tinha se apresentado fora por problemas de Parker com a imigração. O cinema também passa a ser apenas história, com a dedicação exclusiva à música. Os novos discos de Elvis voltam a vender bem, mas a performance do Rei nas listas de mais vendidos não é grande coisa, até 72 nenhum dos lançamentos entraram entre os 10 discos mais vendidos, até que Burning Love, lançado naquele ano, ultrapassa esta barreira.

Entrando nos anos 70, a produção de Elvis se mostra totalmente diversificada, alguns diriam que o cantor estava sem rumo artístico, já que gravava discos com estilos diferentes, indo do blues ao gospel. Acerta um contrato de 8 anos com o International Hotel em Las Vegas, onde se apresenta quase que diariamente com ingressos totalmente esgotados. É nessa época, para aliviar o stress das gravações e shows, que ele começa a se envolver com as drogas. Independente deste problema, ele se torna o artista mais bem pago do mundo da música, fazendo, durante dois anos seguidos, shows totalmente lotados, recorde até hoje imbatível.

O Rei volta a ser o centro das atenções do mundo da música, seus shows passam a ser concorridíssimos. Reza a lenda, que até John Lennon, Bob Dylan e George Harrison tiveram que pagar, como qualquer outro mortal, pra assistirem uma apresentação no Madison Square Garden em 72. No ano seguinte, ele faz um show ao vivo transmitido para o mundo inteiro diretamente do Hawaii. A apresentação foi vista por mais de um bilhão e quinhentos milhões de pessoas. Elvis novamente é uma celebridade. Só que, apesar de sua vida profissional ir muito bem, a parte pessoal esta desmoronando. Começam os problemas que culminaram com o fim de seu casamento com Priscilla. Elvis também começou a engordar de uma forma totalmente sem controle, e seus problemas com as drogas pioraram, já que ele costumava misturá-las com remédios e álcool. Também seu relacionamento com o Cel Parker ia de mal a pior.

Tudo isso resultou em sua morte, em 16 de agosto de 1977, e até hoje as causas são motivo de especulação por parte dos fãs. O que se sabe é que as drogas contribuíram para isso. Mesmo assim, depois de sua morte, sua gravadora, e muitas outras, continuaram a lançar discos e mais discos, já que ainda haviam centenas de músicas gravadas, mas nunca lançadas. Com a chegada do CD, a RCA começou a onda de relançamentos, todos os discos do Rei já saíram em CD com bônus, e a última moda é pegar uma música menos conhecida de Elvis, botar umas batidas eletrônicas e lançar diretamente nas pistas de dança. Assim, o culto ao rei continua rendendo uma boa grana para todos os envolvidos.

Com tudo isso, dá pra perceber que  Elvis é, sem dúvida, o maior nome da música mundial. Nunca deixou de estar em evidência, mesmo nos tempos de decadência física e emocional, sua música nunca deixou de atrair milhares de pessoas. A mistura de uma carinha bonita com o rock and roll, e principalmente suas performances sexuais, são copiadas até hoje pela indústria da música, que vê nisso uma fonte de lucro fácil, em detrimento da música, é bom que se diga. Mas, para sorte dos fãs, o que fica na memória são os bons momentos do cantor, os filmes que invariavelmente invadiam a nossa Sessão da Tarde, e o poder de sua voz, capaz de hipnotizar quem se propunha a escutar.

Mas uma pergunta fica no ar: Será que Elvis, se estivesse vivo, estaria fazendo o mesmo tipo de música até hoje? Será que continuaria atraindo multidões por onde quer que fosse? Será que ele seria este mito ou apenas mais um músico decadente vivendo de seus sucessos passados? São perguntas que ficarão sem resposta a não ser que Elvis resolva voltar de seu esconderijo no meio do Oceano Pacifico e provar para todos que ele realmente não morreu.

Por Valdir Antonelli

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