Zero

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Em 85, o vocalista Guilherme Isnard, remonta o grupo com uma nova formação que contava com Eduardo Amarante (ex-Agentss e Azul 29) na guitarra; Rick Villas-Boas (ex-Joe Eutanásia) no baixo; Freddy Haiat (ex-Degradée) nos teclados e Athos Costa (ex-Tan-Tan Club) na bateria. Com esta nova formação passaram a compor e a gravar novas músicas, na esperança de um futuro contrato com uma gravadora. Neste ponto apareceu a chance de gravar pela EMI que estava com um projeto novo, de lançar novas bandas em um formato não muito comum no Brasil, o Mini LP, ou EP. Foi assim que o Zero lançou o primeiro trabalho, Passos no Escuro. Neste álbum quase todas as músicas se destacaram, mas as principais foram Agora Eu Sei, com a participação do então desconhecido Paulo Ricardo (RPM) e a faixa titulo.

 

Dois anos depois em 87, lançam o bem sucedido disco Carne Humana, com os hits A Luta e o Prazer, Quimeras e Algum Vicio. Para este trabalho sai Athos e entrou Malcolm (ex-Azul 29 e Voga). Neste mesmo ano, abrem os shows da turnê brasileira de Tina Turner, mesmo enfrentando um publico hostil, que estava interessado apenas em ver a cantora, o ZER0 se mostra um grupo maduro, fazendo excelentes apresentações. Passam os dois anos seguintes fazendo shows pelo Brasil inteiro.

Já em 89, surpreendem a todos anunciando o grupo iria se separar, para marcar a data fazem apresentações no finado Dama Xoc em São Paulo e no Circo Voador no Rio. Tocam juntos ainda até 92, em algumas apresentações esporádicas pelo interior do Brasil. Segundo Guilherme Isnard, a banda se separou graças a junção de algumas coisas, como uma troca de gravadora, onde a banda iria deixar a EMI indo para a WEA, o que não se concretizou; o núcleo original de composição (Freddy+Rick+Isnard) se desfez com a saída do Freddy da banda; o fato dele estar trabalhando por cinco e ganhando por um; a vontade de investir em novo projetos e também por continuarem excursionando por alguns anos sem compor nada novo parecia que o nosso assunto tinha acabado, diz Isnard.

Com o fim do ZER0, Guilherme Isnard pode dar asas aos seus novos projetos, como os shows em homenagem a Brian Ferry do Roxy Music e standards da música americana dos anos 50. Segundo o cantor, eram projetos que não cabiam em uma banda de rock, e eu acreditava que a minha voz não deveria estar restrita a um único estilo de repertório, foi por isso que a primeira coisa que eu fiz foi diversificar o máximo possível, tentando reconhecer meus limites e estabelecer alguns paradigmas artísticos. Continuo pensando e buscando isso até hoje. Passou a interpretar também sambas em shows que fez ao lado do cantor Miltinho. Em 92 muda-se para o Rio de Janeiro, até então vivia em São Paulo, com a mudança tem a oportunidade de fazer algumas apresentações solo em boates com People e Hippódromo. Entre 98 e 99 arrisca-se nos palcos onde interpreta o flautista e compositor Joaquim Antônio Callado, no musical O Abre Alas que fez um grande sucesso pelo país.

Ainda em 99, o ZER0 estaria comemorando 15 anos, e eles acabam se reunindo para uma série de apresentações no Rio de Janeiro, junto com a banda de Brasília, Finis Africae. Tocam também em São Paulo no Blen Blen Brasil, onde fazem uma das melhores apresentações da banda, que contou ainda com a participação de Fabio Golfetti, da primeira formação, e dos amigos Miguel Barella, Voluntários da Pátria e Kodiak Bachine da precursora do new wave brasileiro, Agentss, além de Eduardo Amarante e Freddy Haiat.

Desde então a banda continuou se apresentando no Rio, sempre junta de outras bandas dos anos 80 e que estavam voltando a ativa, como o Uns e Outros, até que no segundo semestre de 2000 eles voltam ao estúdio para gravar um novo trabalho que foi lançado no ano seguinte. O novo álbum, Electro Acústico, trás novas versões de grandes sucessos do Zero, como Agora eu Sei, Heróis, A Luta e o Prazer, além de algumas composições novas como a bela Mentiras. Para este trabalho, Guilherme Isnard conseguiu reunir quase todos os antigos integrantes, estão presentes, Eduardo Amarante, Freddy Haiat, Rick Villas Boas, que veio da Holanda, onde morava, para participar do projeto. Além de Philipe Seabra da Plebe Rude, que tocou na faixa Heróis, e Bruno Golveia, do Biquino Cavadão, com backing vocals na mesma faixa. Com disco novo debaixo do braço o ZER0 sai para uma pequena turnê no Sudeste do país, mas devido a problemas em conseguir unir as agendas dos integrantes, que moram em três cidades diferentes, além de não estarem com nenhuma música nas rádios, e com uma péssima distribuição do disco, esta feita pela Sony, em setembro de 2002 resolvem dar um novo tempo. Nesse momento eu estou investindo em uma formação enxuta, de power trio, só pra ver que bicho vai dar, e eu estou gostando do bicho que está dando, diz Isnard.

Paralelamente ao ZER0, Guilherme Isnard se apresenta com o espetáculo Amores Remotos, onde canta alguns sambas extemporâneos. Fora isso existe a possibilidade de que os dois primeiros trabalhos da banda, que continuam inéditos em CD sejam relançados no inicio do ano que vem, fora que o selo Voiceprint, que já trabalha com Fabio Golfetti e o Violeta de Outono promete, também, para o de 2003, lançar algumas músicas da primeira formação da banda, que foi o lado mais experimental do ZER0 e que a maioria do público não conhece.

E, finalmente, uma ótima notícia para os fãs, a EMI, gravadora original do Zero, lançou o CD Obra Completa, com os dois primeiros discos da banda de Guilherme Isnard em tiragem muito pequena. Para 2005, Guilherme Isnard e o Zero planejam o lançamento de um novo disco com músicas inéditas.

Por Valdir Antonelli

 

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