Zero
Written by Valdir Antonelli Friday, 07 January 2005 21:00
Em 85, o vocalista Guilherme Isnard, remonta o grupo com uma nova formação que contava com Eduardo Amarante (ex-Agentss e Azul 29) na guitarra; Rick Villas-Boas (ex-Joe Eutanásia) no baixo; Freddy Haiat (ex-Degradée) nos teclados e Athos Costa (ex-Tan-Tan Club) na bateria. Com esta nova formação passaram a compor e a gravar novas músicas, na esperança de um futuro contrato com uma gravadora. Neste ponto apareceu a chance de gravar pela EMI que estava com um projeto novo, de lançar novas bandas em um formato não muito comum no Brasil, o Mini LP, ou EP. Foi assim que o Zero lançou o primeiro trabalho, Passos no Escuro. Neste álbum quase todas as músicas se destacaram, mas as principais foram Agora Eu Sei, com a participação do então desconhecido Paulo Ricardo (RPM) e a faixa titulo.
Dois
anos depois em 87, lançam o bem sucedido disco Carne Humana, com os
hits A Luta e o Prazer, Quimeras e Algum Vicio. Para este trabalho sai
Athos e entrou Malcolm (ex-Azul 29 e Voga). Neste mesmo ano, abrem os
shows da turnê brasileira de Tina Turner, mesmo enfrentando um publico
hostil, que estava interessado apenas em ver a cantora, o ZER0 se
mostra um grupo maduro, fazendo excelentes apresentações. Passam os
dois anos seguintes fazendo shows pelo Brasil inteiro.
Já
em 89, surpreendem a todos anunciando o grupo iria se separar, para
marcar a data fazem apresentações no finado Dama Xoc em São Paulo e no
Circo Voador no Rio. Tocam juntos ainda até 92, em algumas
apresentações esporádicas pelo interior do Brasil. Segundo Guilherme
Isnard, a banda se separou graças a junção de algumas coisas, como uma
troca de gravadora, onde a banda iria deixar a EMI indo para a WEA, o
que não se concretizou; o núcleo original de composição
(Freddy+Rick+Isnard) se desfez com a saída do Freddy da banda; o fato
dele estar trabalhando por cinco e ganhando por um; a vontade de
investir em novo projetos e também por continuarem excursionando por
alguns anos sem compor nada novo parecia que o nosso assunto tinha
acabado, diz Isnard.
Com o fim do
ZER0, Guilherme Isnard pode dar asas aos seus novos projetos, como os
shows em homenagem a Brian Ferry do Roxy Music e standards da música
americana dos anos 50. Segundo o cantor, eram projetos que não cabiam
em uma banda de rock, e eu acreditava que a minha voz não deveria estar
restrita a um único estilo de repertório, foi por isso que a primeira
coisa que eu fiz foi diversificar o máximo possível, tentando
reconhecer meus limites e estabelecer alguns paradigmas artísticos.
Continuo pensando e buscando isso até hoje. Passou a interpretar também
sambas em shows que fez ao lado do cantor Miltinho. Em 92 muda-se para
o Rio de Janeiro, até então vivia em São Paulo, com a mudança tem a
oportunidade de fazer algumas apresentações solo em boates com People e
Hippódromo. Entre 98 e 99 arrisca-se nos palcos onde interpreta o
flautista e compositor Joaquim Antônio Callado, no musical O Abre Alas
que fez um grande sucesso pelo país.
Ainda
em 99, o ZER0 estaria comemorando 15 anos, e eles acabam se reunindo
para uma série de apresentações no Rio de Janeiro, junto com a banda de
Brasília, Finis Africae. Tocam também em São Paulo no Blen Blen Brasil,
onde fazem uma das melhores apresentações da banda, que contou ainda
com a participação de Fabio Golfetti, da primeira formação, e dos
amigos Miguel Barella, Voluntários da Pátria e Kodiak Bachine da
precursora do new wave brasileiro, Agentss, além de Eduardo Amarante e
Freddy Haiat.
Desde então a banda
continuou se apresentando no Rio, sempre junta de outras bandas dos
anos 80 e que estavam voltando a ativa, como o Uns e Outros, até que no
segundo semestre de 2000 eles voltam ao estúdio para gravar um novo
trabalho que foi lançado no ano seguinte. O novo álbum, Electro
Acústico, trás novas versões de grandes sucessos do Zero, como Agora eu
Sei, Heróis, A Luta e o Prazer, além de algumas composições novas como
a bela Mentiras. Para este trabalho, Guilherme Isnard conseguiu reunir
quase todos os antigos integrantes, estão presentes, Eduardo Amarante,
Freddy Haiat, Rick Villas Boas, que veio da Holanda, onde morava, para
participar do projeto. Além de Philipe Seabra da Plebe Rude, que tocou
na faixa Heróis, e Bruno Golveia, do Biquino Cavadão, com backing
vocals na mesma faixa. Com disco novo debaixo do braço o ZER0 sai para
uma pequena turnê no Sudeste do país, mas devido a problemas em
conseguir unir as agendas dos integrantes, que moram em três cidades
diferentes, além de não estarem com nenhuma música nas rádios, e com
uma péssima distribuição do disco, esta feita pela Sony, em setembro de
2002 resolvem dar um novo tempo. Nesse momento eu estou investindo em
uma formação enxuta, de power trio, só pra ver que bicho vai dar, e eu
estou gostando do bicho que está dando, diz Isnard.
Paralelamente
ao ZER0, Guilherme Isnard se apresenta com o espetáculo Amores Remotos,
onde canta alguns sambas extemporâneos. Fora isso existe a
possibilidade de que os dois primeiros trabalhos da banda, que
continuam inéditos em CD sejam relançados no inicio do ano que vem,
fora que o selo Voiceprint, que já trabalha com Fabio Golfetti e o
Violeta de Outono promete, também, para o de 2003, lançar algumas
músicas da primeira formação da banda, que foi o lado mais experimental
do ZER0 e que a maioria do público não conhece.
E,
finalmente, uma ótima notícia para os fãs, a EMI, gravadora original do
Zero, lançou o CD Obra Completa, com os dois primeiros discos da banda
de Guilherme Isnard em tiragem muito pequena. Para 2005, Guilherme
Isnard e o Zero planejam o lançamento de um novo disco com músicas
inéditas.
Por Valdir Antonelli




