Clash
Written by Valdir Antonelli Monday, 19 June 2006 21:00
O Clash também mantinha uma aura de fora da lei, com posições rebeldes, mas também lutando por uma causa. Como resultado, a banda conquistou fãs devotados pelo mundo inteiro, transformando-os, principalmente em sua terra natal, em ´rock and roll heroes - assim como o Jam, banda com a qual rivalizavam em número de fãs na época. Mesmo assim o grupo levou anos para se tornar um real sucesso nos Estados Unidos. Quando conseguiu, se separou pouco tempo depois.
Antes de formar o Clash, Joe Strummer se apresentava pelas ruas de Londres com um grupo chamado 101´ers. Mais ou menos na mesma época Mick Jones liderava uma banda de hard rock chamada London SS. Ao contrário de Joe Strummer, que havia passado a infância em um colégio interno, Mick Jones vinha da classe operária e tinha uma paixão enorme por bandas como Mott the Hoople e Faces e tentava, com sua banda, retomar a sonoridade destes artistas. Em 1976, Paul Simonon, amigo de infância de Jones, entrou no London SS, logo após deixar o Sex Pistols, no lugar de Tony James (que viria a montar o Generation X e o Sigue Sigue Sputnik). Ao mesmo tempo o baterista Tory Crimes entraria no grupo, sendo substituído rapidamente por Topper Headon.
Já Joe Strummer, logo depois de assistir a um show do Sex Pistols em 1976, resolve sair do 101´ers e apostar em algo novo, mudando suas direções musicais. Ele deixa o grupo logo após o lançamento de Keys to Your Heart, primeiro e único single e entra, junto com o guitarrista Keith Levene (também do 101´ers), no London SS, agora renomeado para The Clash.
A primeira apresentação do Clash rolou no meio de 1976, abrindo um show do Sex Pistols em Londres e Levene abandona o grupo logo após a estréia. A banda contrata Bernard Rhodes, que já trabalhava com o Sex Pistols e com Malcolm McLaren, como empesário e embarca na turnê Anarchy Tour, junto com os Pistols no mesmo ano. Apenas três shows são feitos na turnê, mas renderam à banda um contrato com a CBS inglesa, assinado em fevereiro de 1977. Poucas semanas depois já lançavam o primeiro álbum.
Na primavera européia do mesmo ano, o Clash lança o primeiro single, White Riot. O álbum do qual foi extraído o single recebe ótimas críticas da imprensa britânica, além de vender bem, chegando ao posto de número 12 nas paradas. Mas a CBS americana não acredita no potencial radiofônico do grupo e não lança o disco nos Estados Unidos - apenas em 1979 este álbum sai em terras norte-americanas. Ainda assim o álbum vende muito bem, transformando o trabalho no disco importado mais vendido nos Estados Unidos em todos os tempos.
Logo depois do lançamento no Reino Unido, a banda sai novamente em turnê, abrindo shows para o the Jam e para o Buzzcocks. A turnê tem como ponto alto o show no London´s Rainbow Theatre, quando os fãs jogam as cadeiras para fora do teatro. Durante a tour, a CBS lança Remote Control como single. Em resposta, o Clash grava Complete Control com o ícone reggaeiro Lee ´Scratch´ Perry.
Durante o ano de 1977, Strummer e Jones passam o tempo entrando e saindo da cadeia devido a vários pequenos delitos, sendo acusados de vandalismo e roubo de fronhas, enquanto Simonon e Headon eram presos por atirar em pombos com uma pistola de ar comprimido. A imagem de fora-da-lei começava a grudar na banda devido a estes eventos, mas o grupo também ficou conhecido por seu ativismo social, sendo a atração principal do festival Rock Against Racism (Rock contra o racismo). Em 1978, lançam (White Man) In Hammersmith Palais, reafirmando as posições sociais e políticas do grupo.
Logo após o lançamento deste novo single, o Clash começa a trabalhar na produção de seu segundo álbum junto com o produtor Sandy Pearlman, ex-integrante do Blue Öyster Cult. Pearlman lapidou o som da banda em Give ´Em Enough Rope, para tentar vencer a barreira norte-americana. Mesmo com um disco mais acessível, a empreitada não dá certo e o álbum chega apenas ao posto número 129 da parada norte-americana. Já em casa, o disco é um enorme sucesso, entrando diretamente no segundo lugar da parada britânica.
Com começo de 1979, o Clash dá os primeiros passos em sua turnê, com o nome de Pearl Harbor ´79, pelos Estados Unidos e Canadá. No meio do ano lançam o EP The Cost of Living, trazendo uma cover para I Fought the Law, canção do Bobby Fuller Four, que se transforma em um de seus grande sucessos. A banda volta para os Estados Unidos poucas semanas depois, começando uma nova turnê e, agora, contando com um tecladista, Mickey Gallagher, em sua formação. Nas duas turnês pelas terras do Tio Sam, trabalham com grandes nomes do blues norte-americano, como Bo Diddley, Sam & Dave, Lee Dorsey e Screamin´ Jay Hawkins abrindo as apresentações. A banda também tocou com o Cramps e com o cantor country Joe Ely. A mescla de estilos rendeu o álbum duplo London Calling, lançado em 1980, produzido por Guy Stevens (ex-Mott the Hoope).
London Calling é considerado um dos maiores clássicos do rock mundial graças à mistura de gêneros musicais, passeando desde o rockabilly até o blues, além de hard rock, punk e reggae. O disco foi vendido como um álbum simples e a estratégia ajudou a incrementar às vendas. London Calling estreou na nona posição da parada inglesa e teve sua melhor estréia nos Estados Unidos até então, chegando à vigésima-sétima posição nos Estados Unidos. Neste disco aparecem algumas das canções mais conhecidas da banda, com a que dá nome ao trabalho, Brand New Cadilac, Train in Vain e Spanish Bombs.
Com o sucesso de London Calling, a banda começa uma nova turnê pela América do Norte, Reino Unido e Europa. Durante as apresentações lançam Rude Boy, um documentário, apenas na Inglaterra. No meio do ano sai, somente na Holanda, o single de Bankrobber, canção gravada com o DJ Mikey Dread. Antes do final do ano a CBS inglesa é forçada a lançar o single no país devido aos insistentes pedidos dos fãs.
Pouco tempo depois do lançamento de London Calling começam a trabalhar em seu sucessor. As gravações iniciam em Nova York e rendem um EP, Black Market Clash, lançado exclusivamente no mercado norte-americano. Um mês depois, em dezembro de 1980, chega às lojas o álbum-triplo Sandinista!. A reação dos críticos é dúbia, os jornalistas norte-americanos recebem-no bem mais favoravelmente que seus companheiros do outro lado do Atlântico. Além disso o número de fãs ingleses parece diminuir. Sandinista! é o primeiro disco do Clash à vender mais nos Estados Unidos que na Inglaterra.
Sandinista! vai mais fundo na proposta iniciada em London Calling. Por ser triplo, a mistura de estilos é ainda maior, indo desde o punk tradicional até a canções gospel. Ao contrário do álbum anterior, Sandinista! transforma-se em uma salada indigesta, sem que exista um linha que costure o trabalho de forma tão bem feita como em London Calling, ainda assim algumas canções se destacam como Police on My Back, mas é muito pouco quando vemos que o disco traz 36 canções.
Depois de passarem boa parte do ano de 1981 em turnê, o Clash chega ao final do ano trabalhando no quinto álbum, agora com o produtor Glyn Johns, que já havia produzido discos para os Stones, Who e Led Zeppelin. Johns dá ao projeto uma cara mais hard rock. No final das gravações Headon abandona a banda. A imprensa afirma que ele deixa o Clash devido a diferenças políticas, mas logo depois os fãs descobrem que foi por excesso de drogas. Em seu lugar volta Therry Chimes (Tory Crimes) e antes da metade do ano sai Combat Rock.
O álbum se transforma no maior sucesso comercial da carreira da banda, chegando ao segundo posto da parada inglesa e entrando no Top Ten da norte-americana em 1983, tudo graças ao sucesso de Rock the Casbah. Antes disso, em 1982, a banda abre algumas apresentações para o Who o que ajuda nas vendas do álbum nos Estados Unidos. Mesmo assim O Clash foi vaiado, pelos fãs do Who, em todas as apresentações desta turnê. Além de Rock the Casbah, Combat Rock tem em Should I Stay or Should I Go? o maior sucesso da banda no Brasil.
Ainda que o grupo estivesse atravessando seu melhor momento comercial, em 1983 a banda começa a dispersar. Chimes é demitido e em seu lugar entra Pete Howard, baterista do Cold Fish.No meio do ano se apresentam em um festival na Califórnia e em setembro Joe Strummer e Paul Simonon despedem Mick Jones por diferenças artísticas alegando que as idéias de Jones fogem da idéia original do Clash. Jones cria, no ano seguinte, o Big Audio Dynamite. Em seu lugar entram os guitarristas contratados Vince White e Nick Sheppard.
Em 1984 uma nova turnê pela América do Norte e Europa se inicia, agora com a nova formação. No mesmo ano lançam um novo disco, Cut the Crap, uma tentativa de manter o espírito do punk rock, que, segundo Strummer e Simonon, havia se perdido nos trabalhos anteriores. O disco recebe uma enxurrada de críticas negativas, comentando que a banda se transformou em uma paródia de si mesma, e as vendas são pequenas. O único destaque é This Is England, único single do álbum derradeiro do Clash.
Dois anos se passam e, em 1986, Strummer e Simonon resolvem acabar definitivamente com o Clash. Alguns anos depois, Simonon monta a banda Havana 3 A.M. e lança apenas um disco em 1991, passando a se concentrar na pintura após isso.
Strummer volta a colaborar com Mick Jones e escreve algumas canções para o segundo álbum do Big Audio Dynamite. Logo depois passa a se dedicar à carreira de ator aparecendo em alguns filmes como Straight to Hell (1986) e Mystery Train (1989). Grava em 1989 seu primeiro álbum solo, chamado Earthquake Weather, e entra na banda Pogues, assumindo os vocais e guitarra. Em 1991 abandona totalmente a carreira de músico só retornando em 1996 quando participa da gravação de England´s Irie, canção do Black Grape.
Enquanto Strummer e Simonon permanecem quietos e Jones continua trabalhando com seu Big Audio Dynamite, boatos de uma reunião do Clash circulam desde os anos 90. Quando Should I Stay or Should I Go? foi usada por uma propaganda da Levi´s os boatos se tornaram ainda mais fortes, já que a canção foi relançada com sucesso na Inglaterra, chegando ao primeiro posto das paradas. Os boatos voltaram entre 1995 e 1996, devido a reunião dos Sex Pistols.
Só em 1999 os fãs ficam mais felizes graças ao lançamento de Live: From Here to Eternity, com material gravado em shows entre 1978 e 1982. Logo depois do álbum o documentário Westway to the World é lançado e desde então várias coletâneas de sucessos chegam às lojas.
Por Valdir Antonelli, com informações da All Music Guide.




