Ministry
Written by Valdir Antonelli Thursday, 14 April 2005 21:00
Alain Jourgensen, nasceu em Cuba, em 1958. Mudou-se para os Estados Unidos com sua mãe e passou a pular de cidade em cidade. Trabalhou como DJ em rádios até criar o grupo Special Affect, junto com Frankie Nardiello (My Life With the Thrill Kill Kult), mais conhecido como Groovie Mann. Em 1981, com o baterista Stephen George, montou o Ministry e lançou o single Cold Life, pelo selo Wax Trax!, com um som muito próximo ao feitos por grupos como Human League e Thompson Twins. Em 1983 assinam com a gravadora Arista, por onde lançam With Sympathy, mantendo a mesma linha do trabalho anterior. Insatisfeito com o resultado, Jourgensen volta a trabalhar com a Wax Trax, gravando diversas músicas, com um estilo totalmente diferente e surge o projeto Revolting Cocks. Em 1984, o Ministry, lança uma coletânea com os singles do grupo até então, metade das faixas são remixes.
No ano seguinte, 1985, Jourgensen, então único membro original do Ministry, se une a Adrian Sherwood para a produção de Twitch, que sairia pela Sire Records. Twitch ainda não mostrava o Ministry como conhecemos nas baladas underground de São Paulo, mas já vinha com músicas um pouco diferentes dos trabalhos passados, mantendo-se razoavelmente ligados ao tecnpop, ao mesmo tempo que era diferente de tudo o que o grupo já tinha produzido, ou viria a produzir. Mas a grande mudança ainda estava por vir.
Em 1987, Jourgensen trabalha com Nivek Ogre, do Skinny Puppy, no projeto PTP e resolve reativar o Ministry, agora com o baixista Paul Barker como membro oficial. O baterista Willian Rieflin, Mike Scaccia na guitarra e o vocalista Chris Connelly entraram no barco como colaboradores. Com este time lançam The Land of Rape and Honey, o divisor de águas da banda. Quebrando todos os conceitos vigentes, abusando dos samplers, sintetizadores, guitarras e vocais distorcidos, foi o pontapé inicial no que viria a ser conhecido como rock industrial. É deste álbum os primeiros hits do grupo, como Stigmata e The Missing, além da faixa título.
Dois anos depois lançam The Mind is a Terrible Thing to Taste, seguindo a risca o estilo ´criado´ no álbum anterior. Um mix de guitarras ligadas ao thrash metal, junto com um ótimo trabalho de percussão e quilos de sintetizadores. Boa parte dos clichês do estilo, hoje em dia, tem como culpado este trabalho. Destaque para a faixa Thieves, que fez muito sucesso nas baladas indies aqui no Brasil, nos anos 80. In Case You Didn´t Feel Like Showing Up, álbum ao vivo gravado em 1990, reflete a turnê de The Mind Is... e traz novos colaboradores para a banda, o baterista Martin Atkins e o guitarrista Willian Tucker.
Logo depois do lançamento do álbum ao vivo, Jourgenses volta-se para o Revolting Cocks, contando com a participação da dupla à frente do Front 242 no projeto. Além do Revolting Cocks ele trabalha com Jello Biafra e Trent Reznor do 1000 Homo DJs e cria vários outros projetos: Acid Horse, Pailhead e Lard.
Somente em 1991, o Ministry volta ao trabalho com o single Jesus Built My Hotrod, música co-escrita por Gibby Haynes do Butthole Surfers e que contou com uma super-exposição na MTV, antecedendo o álbum Psalm 69, lançado no ano seguinte. Este primeiro single foi muito executado pelas rádios rock brasileiras. O disco bateu no top 30 das paradas americanas e conseguiu disco de platina, tudo graças a leve ajuda que a MTV deu, veiculando, massivamente, os clipes de N.W.O. e Just One Fix. No mesmo ano o grupo toca no Lollapalooza, com um novo guitarrista, Louis Svitek.
Independente do sucesso, o excesso de drogas e problemas com a justiça fizeram o grupo perder muito tempo entre um lançamento e outro, culminando com o disco mais fraco da carreira, Filth Pig, de 1995. Jourgensen, então, volta a se dedicar a um de seus projetos paralelos e grava o primeiro disco do Lard. Só em 1999 um novo single do Ministry é lançado, Bad Blood, que entrou na trilha sonora do primeiro filme da série Matrix, abrindo o caminho para Dark Side of the Spoon, o título é uma referência aos problemas com o uso de heroína por parte dos membros da banda. No mesmo ano o guitarrista Willian Tucker se suicida. Apesar de The Dark Side... ser um disco fraco, o Ministry é indicado ao Grammy de 2000 com a música Bad Blood, mas perdem o prêmio para o Black Sabbath. Logo depois são dispensados da Warner. Mostrando que os problemas nunca chegam sozinhos, o grupo estava escalado para se apresentar no Ozzfest, mas foi deixado de lado pela produção do evento. A saída da Warner também atrapalhou o lançamento de três discos ao vivo, pela Ipecac Records, baseados em material da turnê Psalm 69. Dos três discos prometidos, apenas um Live Psalm 69 Tour, foi realmente lançado na época. Um novo título, Psalm 69 Live, saiu em 2004.
Em 2001 o grupo participa do filme A.I, de Steven Spielberg, e grava uma canção para a trilha, a música é lançada na coletânea Greatest Fits. Apesar da grande divulgação o single não vende nada, mas ajuda o grupo a assinar com a Sanctuary Records. Pela nova gravadora sai o álbum Sphinctour, um trabalho ao vivo, feito sob medida para os fãs que ficaram desapontados com o não lançamento dos álbuns ao vivo, prometidos pela Ipecac Records. Em 2003 um novo álbum com músicas inéditas, Animositisonmina, marcand a volta da banda ao som feito em Psalm 69. O destaque do álbum é uma cover para The Light Pours Out Of Me, do Magazine.
Houses of the Molé é lançado em 2004, também pela Sanctuary Records e é, de acordo com várias críticas, a ressurreição do Ministry. Um retorno ao som que deu fama a banda no final dos anos 80, começo dos 90. No mesmo ano sai o disco Twiched, lançado apenas na Inglaterra, com versões para as músicas de Twiche, de 1985.
Por Valdir Antonelli / Foto por Ron Keith (divulgação)




